
O líder do PSD Madeira e presidente do Governo Regional começa este novo ciclo governativo pós eleições de 22 de setembro com uma postura diferente daquela observada em 2015, asseguram várias fontes próximas da ação governativa e partidária num momento em que, hoje, em termos de estratégia social democrata, começam as auscultações às concelhias.
As mesmas fontes garantem ao Funchal Notícias que o líder está mais “controlador”, mais de “rédea curta”, ao contrário do que se verificou em 2015 em que deixou de forma livre a escolha das equipas das diferentes secretarias para os respetivos titulares, sendo depois surpreendido com um conjunto de figuras que acabaram por contribuir para emperrar a máquina da governação e, de certo modo, a máquina partidária, obrigando Albuquerque a alterações que acabaram por atingir as duas componentes do partido, a tempo de evitar maiores dissabores em termos de resultados, mas não a tempo de evitar a perda da maioria absoluta. Mesmo assim, com intervenção suficiente para manter três vitórias, o que tendo em conta tratar-se de um partido no poder há 43 anos, não deixa de ter alguma relevância.
O FN sabe que Miguel Albuquerque decidiu começar cedo a ouvir as bases e decidiu publicitar essa medida através de notícias de jornais em vez de veicular essas informações pelos gabinetes de comunicação, onde dispõe de profissionais, uma prática que, dizem fontes próximas, tem sido propositadamente adotada pelo líder quando pretende tomar alguma decisão, preferindo primeiro testar a estratégia pelos jornais para avaliar eventuais consequências. Foi o que aconteceu, agora, com a auscultação e com o aviso dado pelo secretário geral quanto à necessidade das questões internas serem resolvidas internamente. O que pode ser contraditório com a estratégia de “teste público” de Albuquerque.
Há uma garantia que Albuquerque está diferente, há quem diga mesmo que está muito próximo do que acontecia em alguns tempos de Jardim, onde cada escolha era avaliada ao pormenor. É o que garantem estar a acontecer agora com as secretarias regionais, onde a autonomia dos titulares já não é total, ao ponto de já terem sido “chumbados” alguns nomes para direções regionais e aconselhados outros, uma situação que poderá, de algum modo, colocar “areia” na engrenagem face ao desconforto que a decisão provoca, mesmo compreendendo que, em função do que ocorreu no passado, o líder tenha agora necessidade de colocar a “malha” mais apertada.
O princípio é o mesmo, quem não trabalhou para a campanha vê a sua posição mais fragilizada tanto no partido como no governo, se bem que em alguns casos, como atestam as informações chegadas ao FN, as informações que Albuquerque reuniu já padecem de algumas falhas na origem, de tal modo que a decisão final teve por base lapsos de análise e, por consequência, correndo riscos de cometer injustiças. Como acontecia várias vezes no tempo de Jardim.
Mas num contexto em que se começam a ouvir as bases do PSD, estas temem que esse figurino possa contribuir para aquilo a que dizem de “caça às bruxas”, sendo que essa consulta começa com um quadro inesperado de tensão provocada pelos contornos pouco claros da recente derrota de Pedro Coelho, um vencedor claro em Câmara de Lobos, na corrida à liderança da AMRAM.
Alguns setores do PSD consideram que esta preocupação “excessiva” de Albuquerque em controlar escolhas, poderá estar a reduzir capacidade de intervenção estratégica em momentos chave para o partido, como era claramente a liderança da AMRAM, onde uma avaliação minimamente consistente poderia aconselhar a uma desistência de candidatura ou a uma maior e melhor negociação, como defendem algumas figuras social democratas. O próprio Pedro Coelho não esconde o incómodo, tratando-se de um social democrata que tem das vitórias mais confortáveis para o PSD, no caso em Câmara de Lobos. Foi um vencedor candidato a derrotado.
Dizem que o mesmo se passa relativamente às equipas do PSD nas câmaras onde o partido não é líder, apontando-se um certo distanciamento naquilo que se prende com o acompanhamento da estratégia, sendo um caso flagrante o Porto Santo, onde o partido acabou por ser surpreendido por um certo “deixar andar”, que lhe foi fatal nas últimas eleições e que, face a isso, exige agora uma intervenção mais próxima. Pensam alguns setores do partido que estes contactos com as concelhias poderão ser decisivos para reverter essas situações, mas também apontam que a escolha das pessoas será determinante.
Descubra mais sobre Funchal Notícias
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.





