O prestigiado organista norte-americano Stephen Tharp é a “estrela” do concerto de hoje, que abre o 10º Festival de Órgão da Madeira na igreja do Colégio, pelas 21h30, tocando obras de compositores, como ele, norte-americanos, embora também inclua peças de compositores europeus. O objectivo é proporcionar uma interessante panorâmica da música para órgão escrita no século XX.
O programa é o seguinte: John Cook (1918-1984) ¬ Fanfare (1952); George Baker (1951) ¬ Lamento (2013); William Albright (1944-1998); ¬ Recitative-chorale ¬ Underground streams ¬ Nocturne (Organbook 3, 1978); Anthony Newman (1941)¬ Adagio (Symphony No. 2, 1992); Thomas Mellan (1995) ¬ Ballade de l’impossible (2017); Louis Vierne (1870-1937) ¬ Larghetto (Symphonie 5 pour grand orgue, Op. 47); Maurice Ravel (1875-1937) ¬ Toccata (Le Tombeau de Couperin, 1917, Transcrição por Michael Hey).
O programa do concerto reza o seguinte: “O compositor anglo-canadiano John Cook estudou na Universidade de Cambridge, onde trabalhou com Boris Ord e Hugh Allen. Compositor de mais que uma dúzia de obras para órgão, escreveu a sua jubilosa Fanfare
em 1952, a mesma tornando-se a sua obra mais tocada. George Baker é um organista baseado em Dallas, Texas, vencedor de vários concursos internacionais de órgão. Aluno de Maurice Duruflé, Marie-Claire Alain e Jean Cochereau, foi também o único aluno particular de Pierre Cochereau, provavelmente o maior improvisador no órgão do século XX. O Lamento de Baker é um breve prelúdio de coral sobre o hino de Herbert Howells “All my hope on God is founded.” A alcunha da melodia é “Michael,” o nome do filho de Howells, que morreu muito jovem. O compositor e organista americano William Albright foi membro do Departamento de Música
da Universidade de Michigan durante muitos anos, incluindo servindo como Director de Música Electrónica. A sua produção abrangia estilos desde o pontilhismo serial até o ragtime e obras para órgão, cravo, piano, sopros, cordas e até ópera. Organbook III é um conjunto de estudos miniatura que exploram texturas diferentes do som do órgão, e foram compostas a pensar num instrumento de
pequenas dimensões.
O compositor de Nova York Anthony Newman tem estado na vanguarda da composição de órgão, de piano e de cravo durante mais de 50 anos, colaborando com artistas como Kathleen Battle e Wynton Marsalis. Este Adagio, uma espécie de canção sem palavras com a melodia na pedaleira, faz parte de uma Sinfonia em três andamentos que Newman compôs para Stephen Tharp em 1992. O organista Thomas Mellan, de Los Angeles, é um dos jovens prodígios americanos mais proeminentes, tendo estudado com Cherry Rhodes na Universidade da Carolina do Sul, em Los Angeles. Escreveu sobre a sua música: “Ballade de l’impossible é inspirada numa longa tradição de obras virtuosas para teclado ao longo da história da música, incluindo Franz Liszt e Pierre Boulez. Ressoa como uma
balada quase quase de Victor Hugo, que é uma luta contínua dentro de uma estrutura rondó do barroco francês.”
O cego Louis Vierne foi organista durante décadas na Catedral de Notre Dame em Paris. Na verdade, morreu tocando esse mesmo
órgão durante um concerto a 2 Junho de 1937. As suas Seis Sinfonias para Órgão vão além das fronteiras da harmonia e da densidade
textural na música para órgão da época, muita da sua escrita reflectindo a qualidade frequentemente escura e trágica da sua
própria vida. O Larghetto da Sinfonia nº 5 é uma elegia longa e lírica em três partes. O compositor impressionista francês Maurice
Ravel demonstrou grande talento quando ainda era muito jovem, ingressando no Conservatório de Paris com a idade de 14 anos, lá
ficando durante seis anos. Compôs o seu Tombeau de Couperin à memória de amigos mortos na Primeira Guerra Mundial. Ravel
orquestrou a obra mais tarde. A Toccata final termina a suite com grande energia e vigor”.
Stephen Tharp, nascido em 1970, já foi referido pela crítica do Dallas Morning News como “um dos mais brilhantes organistas de concerto dos nossos dias”. Formou-se no Illinois College e na Northwestern University, tendo estudado com Rudolf Zuiderveld e Wolfgang Rubsam. Estou ainda em Paris com Jean Guillou. Já actuou um pouco por todo o mundo, tendo participado em mais de 32 tournées e dado 800 concertos só nos EUA. Também já deu masterclasses na Universidade de Yale, Westminster Choir College, Instituto de Música de Cleveland e muitos outros locais ou instituições. Já foi jurado em competições na Juilliard e na Northwestern University. Gravou múltiplos CDS, incluindo as obras completas para órgão de Jeanne Demessieux, que lhe granjeou o galardão “Preis der Deutschen Schallplattenkritik”.
De1995 a 1997, foi o organista da St. Patrick’s Cathedral. Foi ainda, de 1998 a 2002, organista associado em St. Bartholomew’s. Durante a temporada de 2013/14, foi artista residwente da Grace Church em Manhattan. Em 2008, foi nomeado organista oficial para a visita a Nova Iorque do papa Bento XVI. Recebeu o prémio de artista do ano pelo capítulo de Nova Iorque da American Guild of Organists.
Desde Novembro de 2014 é artista residente da igreja de St. James na Madison Avenue em Nova Iorque. Além de ser ele próprio um compositor, tem também estreado os trabalhos de diversos compositores contemporâneos.
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