“Virgem Prisioneira” da Índia é peça curiosa em destaque em exposição sobre os 450 anos do Colégio dos Jesuítas

“A Virgem Prisioneira” é uma curiosidade religiosa, militar e histórica interessante que terá destaque no âmbito da exposição temporária que se debruça sobre os 450 anos do Colégio dos Jesuítas, no Funchal. Mesmo do outro lado da Praça do Município, o Museu de Arte Sacra do Funchal albergará esta mostra, sob comissariado científico do historiador madeirense Rui Carita, e que esteve em processo de montagem.

Conforme o FN já relatou, a exposição, a inaugurar a 17 de Outubro, assinalará o Dia Nacional dos Bens Culturais da Igreja, além da efeméride dos quatro séculos e meio de existência do Colégio dos Jesuítas.

Rui Carita explicou ao Funchal Notícias que a ideia foi juntar o Museu de Arte Sacra e a Associação Académica da Universidade da Madeira para assinalar os 450 anos do vetusto edifício, e contar a história do mesmo através da sua vivência, sempre ligada ao ensino, ao longo de vários tempos e várias políticas.

“Isso faz com que a exposição apresente a fundação da ordem dos jesuítas, com o seu património, etc., mas depois passe para seminário, depois passe para quartel, com as ocupações inglesas, depois se mantenha 150 anos como quartel, e depois retrate a preparação [de contingentes militares] das guerras coloniais (…)”, diz Carita.

Quando as guerras coloniais finalmente terminaram, o edifício passou a dedicar-se novamente ao ensino, albergando escolas superiores de educação, Universidade da Madeira e delegação da Universidade Católica, relembra o nosso interlocutor.

A dita “Virgem Prisioneira” insere-se numa história da guerra colonial. Alguns soldados que partiram em 1957 para Diu, na Índia, terão pedido para que uma imagem de Nossa Senhora do Monte os acompanhasse. A dita imagem foi criada, fez-se uma procissão, uma benção no Monte, e a imagem foi enviada para a Índia.

“Ela voltou em 1959 [à Madeira] e de novo embarcou para a Índia em 1960, quando uma nova companhia partiu para Diu”. Mas dessa vez, a companhia militar portuguesa foi apanhada pela invasão que a União Indiana protagonizou àquele território com presença portuguesa. “Quando a companhia regressou oito meses depois de ter partido, veio a imagem outra vez, como “Nossa Senhora Prisioneira”, apodo que lhe que tinha ficado de ter sido ‘prisioneira’ na Índia…” em 1961… Uma história com o seu quê de romanesco.