Das eleições

Neste momento em que vos escrevo não sei ainda quem ganhou as eleições regionais. No momento em que me lêem já o sabem. Sortudos.

Sinto-me uma verdadeira Marty Mcfly a mandar uma missiva para ser lida – também por mim – no futuro. Ou teria de ser enviada do futuro para ser lida no passado? Não sei, o Regresso ao Futuro às vezes baralha-me.

O que sei é que estas foram, de longe, as eleições regionais mais disputadas, mais acesas e com (quase) tudo em aberto de que tenho memória. Arriscava-me a dizer da nossa jovem democracia regional, mas acredito que no pós 25 de abril, a coisa não fosse pêra doce. E seria tudo mais quente, físico e cru. Ou menos polido, se quiserem.

Mas estas foram qualquer coisa.

Como militante do PSD não posso deixar de acalentar a esperança que as coisas nos tenham  corrido bem e que tenhamos alcançado um bom resultado com este projeto em que acredito, reflexo dos valores e ideias que são também os meus.

Como candidata à Assembleia Legislativa Regional continuo a sentir-me  infinitamente honrada pelo convite e por terem me reconhecido valor. Até porque não sou exatamente material político clássico. Não sei ir atrás da foto, nunca falo com as pessoas certas, nem sei pôr-me a jeito. É notória a minha falta de jeito para conversas de circunstância e, mais vezes do que seria suposto, sou inconveniente. Como agora.

Agora como pessoa, como experiência de vida, esta época de campanha encheu-me as medidas. E isso não tem preço.

Agradeço. Agradeço muito.

Agradeço a quem, no porta a porta, me ouviu e principalmente a quem comigo falou, desabafou, sorriu, barafustou ou reclamou. Por terem a paciência de me deixar entrar um pouco nas suas vidas.

Agradeço porque galguei montes e lombos e corri veredas e becos que nem imaginava existirem. Pelas bolhas nos pés. Porque agora vi mais. Sei mais.

Agradeço porque saí da minha redoma. Porque agora, quando olho da minha janela para o bairro social lá à frente, não vejo um bairro social. Vejo a casa da Maria José, a casa da Marta e a do Ricardo.

Agradeço pelas amizades que fiz, pelas pessoas que agora fazem parte também da minha história. Pessoas com quem dificilmente me cruzaria nos meandros da vida, não fosse este objetivo comum. Pessoas que me enriqueceram.

Agradeço às gentes do PSD de São Roque. Porque não há gente como a gente. Por me acolherem e por fazerem esta deconhecida sentir-se em casa. Obrigada a todos sem exceção. Por me ensinarem. Por partilharmos conversas, risos e lágrimas nos olhos. Por me contarem as vossas histórias, por me inspirarem com a vossa força, coragem e determinação. E pelos jantares de mini coral e tremoços partilhados.

Que a minha querida nutricionista não me leia.

Agradeço ao meu marido, aos meus pais e à minha sogra, por aguentarem todas as pontas. Agradeço às minhas filhas por suportarem as minhas ausências, por mais que vos tenha custado. E a mim. Pelas histórias que não li, pelos banhos dados por outras mãos e pelos beijos de boa noite que não dei. Espero que um dia entendam que, por vezes, temos de fazer mais, vestir a camisola e dar tudo por aquilo em que acreditamos. Quero muito que isso entre nas contas dos vossos valores.

Agradeço a todos os militantes, independentemente da cor política. Pelo respeito. Porque sei que se revêm no que escrevo, porque também deixam as vossas famílias, o vosso conforto e o vosso sofá. Porque trabalham em prol daquilo em que acreditam. Pelo bem do sistema democrático.

A ti que não foste votar, a ti não agradeço. A ti que foste passear ou ficaste em casa a devorar a última temporada da Casa de Papel  não agradeço. A ti que te queixas porque os políticos são todos iguais e que um voto não vai mudar nada, como se a democracia fosse produto do que os outros fazem, a ti não agradeço. Porque muitos sofreram, lutaram e desbravaram caminho para te dar o direito que agora tão levemente desdenhas. A ti não te agradeço. E acredita que eu já fui como tu. Por favor, muda.

Mas agora o que eu queria mesmo era saber os resultados. É que ainda não sei. Vocês já sabem. Sortudos.