Francisca Jorge e Fred Gil sagram-se campeões nacionais em ténis no Funchal

Final “abençoado” para a primeira edição do Campeonato Nacional Absoluto / Taça Guilherme Pinto Basto a realizar-se no Funchal. Na jornada de encerramento, a chuva chegou à Quinta Magnólia e atrasou a coroação dos campeões, mas não impediu a festa organizada pela Federação Portuguesa de Ténis e pela Associação de Ténis da Madeira.

No torneio de 19.280 euros em prémios monetários, Francisca Jorge revalidou o título conquistado nos últimos dois anos e Frederico Gil fez o que já não fazia há uma dúzia de épocas – sagrar-se campeão nacional absoluto.

Numa histórica final entre irmãs, Francisca Jorge, de 19 anos e primeira cabeça de série, confirmou todo o favoritismo para derrotar Matilde Jorge, de 15 e quarta candidata ao título, por 6-3 e 6-0.

No duelo das decisões, a mais velha das jovens vimaranenses foi superior em tudo: desde o controlo dos nervos naturais de uma final, às emoções implicadas pelo duelo familiar e às opções táticas, conseguindo variar bem o jogo e apresentar a consistência do fundo do court que faz dela a atual n.º1 portuguesa (e 524.ª no ranking WTA).

«É muito bom ser tricampeã nacional porque esta é a prova rainha [do ténis português]. É um estatuto muito positivo e não podia estar mais satisfeita», celebrou a grande figura do ténis feminino português da atualidade, depois de conquistar mais um troféu.

«Três campeonatos já são ‘qualquer coisa’ e quero continuar a trabalhar para lutar por muitos mais», prometeu.

Praticamente em simultâneo, devido à chuva que atrasou (e muito) o começo da decisão feminina, também Frederico Gil deu passos acertados em direção ao título.

A disputar a final de singulares do Campeonato Nacional pela sexta vez, o finalista do Estoril Open de 2010 derrotou Francisco Cabral por 6-3 e 6-3 para ficar com o título pela quarta vez, primeira desde o já longínquo ano de 2007.

A atravessar um bom momento de forma, que o faz projetar-se a voos conhecidos (como a reentrada nos 300 primeiros do ranking e, numa segunda fase, o top 200 e o top 100) mas também desconhecidos — porque continua a ter o objetivo de se estrear entre os 50 primeiros da tabela —, o tenista de Sintra voltou a ser feliz de tal forma que quase ganhou o estatuto de madeirense, uma vez que agora passam a ser dele os únicos dois títulos discutidos fora de Portugal Continental. Este, conquistado na Quinta Magnólia, junta-se ao que em 2004 tinha ganho em Porto Santo. Pelo meio venceu também em 2006 e 2007.

Ao ganhar quatro títulos de campeão nacional, Fred Gil junta-se a nomes históricos do ténis nacional como Rui Machado, Emanuel Couto, Nuno Marques, Pedro Cordeiro e Eduardo Ricciardi. À sua frente na lista dos mais titulados só tem agora João Cunha e Silva (5), José Vilela (5), Alfredo Vaz Pinto (7) e José Roquette (14).

Na análise ao encontro feita em direto para a RTP Madeira, que transmitiu o encontro, reiterou a importância da conquista e sublinhou a vontade de continuar a construir uma “segunda carreira”.

«Tenho 34 anos mas hoje em dia isso não é nada. O Roger Federer tem 38 e continua ao mais alto nível e se tudo correr bem só pretendo encerrar a minha carreira mais perto dos 40, porque ainda quero muito terminar no topo. O meu objetivo sempre foi chegar aos 50 primeiros, depois tive uma fase menos boa que custou muito a ultrapassar mas neste momento já vou a 360 e estou em grande forma», explicou.

Terminadas as finais de singulares foi tempo de se discutirem os títulos de pares, sinónimos de jornada dupla para três dos protagonistas da “primeira parte” do dia. Adversárias na variante individual, lado a lado Francisca Jorge e Matilde Jorge voltaram a unir esforços e tal como em 2018 também este ano conseguiram sair do torneio só com vitórias.

As irmãs derrotaram na final Maria Inês Fonte (campeã há dois anos, com Francisca Jorge, e finalista há um, com Inês Esteves) e Ana Filipa Santos (vice-campeã em 2013, com Joana Brites, e em 2017, com Rita Pinto) ao cabo de três equilibradas partidas, com 7-5, 4-6 e 10-8.

No final, Matilde Jorge partilhou a satisfação que sentia depois de mais uma semana 100% vitoriosa ao lado da irmã. «Correu muito bem. Fazemos um bom par e eu adoro jogar com a ‘Kika’ e acho que nesta final estivemos muito bem como equipa. É verdade que houve altos e baixos por parte das duas duplas mas nós fomos mais fortes».

Francisca Jorge concordou e foi mais longe, falando da competitividade saudável que há entre ambas: «Às vezes brincamos um bocadinho uma com a outra sobre os títulos que ela ganhou, que eu ganhei. É algo que às vezes nos sai na brincadeira e que usamos para nos motivarmos, é aquela competitividade saudável para puxarmos uma pela outra».

A decisão masculina premiou Francisco Cabral e Paulo Fernandes, que noutro duelo pautado pelo equilíbrio e também pelo entretenimento sorriram por último depois do match tie-break. Os parciais de 6-4, 5-7 e 10-7 frente a Tiago Cação e Manuel Gonçalves fizeram do portuense, de 22 anos (Francisco Cabral), bicampeão, pois em 2016 ganhara ao lado de Tiago Cação, enquanto o vimaranense (Paulo Fernandes), de 20, campeão nacional pela primeira vez. Paulo Fernandes não escondeu a surpresa por ter saído do Funchal com um troféu de campeão e deixou muitos elogios ao parceiro.

«Sinceramente não estava nada à espera que o primeiro título chegasse já este ano e muito menos em pares, porque jogo muito menos do que singulares e como já tinha perdido bastante cedo esta semana não me estava a sentir muito confiante. Fico muito mais à vontade quando jogo com um parceiro como o Francisco, que está habituado a isto e já ganhou muitos títulos, e por isso só posso agradecer-lhe».

Quanto a Francisco Cabral, não escondeu que «quer perdesse, quer ganhasse esta final ia sair com uma sensação de ter sido uma muito boa semana porque ganhei bastantes encontros e era disso que precisava para recuperar a confiança que tenho vindo a conquistar ao longo do ano, mas claro que vencer e vencer ao lado do Paulo é uma sensação especial».

Na jornada de sexta-feira, já quase de noite, Ana Filipa Santos e Tiago Torres já tinham inaugurado a galeria de campeões de 2019. Os dois tenistas da LX Team viram a consistência e alegria da semana serem premiadas ao vencerem na grande final os principais candidatos ao título, Sara Neto e José Ricardo Nunes, por 6-2 e 6-3.