Os cavalheiros das campanhas sem dinheiro mas cheios de convicção

A tomada de posse do primeiro Governo Regional. FOTOS RUI MAROTE.

Os madeirenses estão a dias de escolher os seus governantes nas Eleições Legislativas de 2019 e vivem a estação típica não das chuvas outonais mas da campanha eleitoral. Por isso, o FN traz à memória outros calendários e figuras que passaram pela política regional e que também se fizeram à estrada, estendendo a mão ao voto. Muitos já partiram para a eternidade mas o nome inspira gratidão e exemplo.

Baltazar Gonçalves. Primeiro presidente do CDS-Madeira, tribuno exímio no Parlamento.

No arquivo do jornalista Rui Marote, viajamos no tempo e cruzamo-nos com outra casta de políticos, muitos deles a fazerem história. O preto e branco identifica outras era de comunicar com o eleitorado na formação do primeiro Governo Regional, chefiado pelo já falecido Ornelas Camacho.

Primeira reunião do primeiro Governo Regional, no Palácio de São Lourenço.

Eles – os políticos – não se dirigiam ao público de qualquer maneira. Faziam-no, desde logo, de fato e gravata, com rigor e elevação na linguagem. Olhavam de frente, com convicção e firmeza para o público. As propostas eleitorais eram produto de um acordo de cavalheiros firmado ao longo de intermináveis reuniões no partido, sem telemóveis nem poses para o Facebook. Tinham pouco (dinheiro e recursos), tudo era incerto, mas as suas palavras abarcavam o mundo e nelas a fome das pessoas, de água, de luz, de emprego, de estrada, de civilização, lá cabiam.

Encontro de cavalheiros. Cabral Fernandes, fundador do CDS-M, Pontes Leça, fundador do PSD/M, e Rui Pena, Ministro da Justiça da AD.

Havia políticos que, chegados ao Parlamento. eram notáveis tribunos. Estudados, ponderados no léxico e certeiros nos destinatários, moviam o auditório, salgavam as consciências. Baltazar Gonçalves, fundador do CDS-M foi um, entre outros, exemplos.

Eles fazem parte do passado. O presente deve olhar naturalmente para o futuro e alinhar com as culturas ditas emergentes. Mas que a memória histórica contribua e muito para ensinar alguma coisa aos humildes.