A (anti)ética do populismo

O populismo é um fenómeno moderno, que nasceu e teve especial dinamismo nos Estados Unidos no final do século XIX e que manteve-se ativamente até a atualidade. Não é de admirar que devido ao seu impacto no mundo, há quem defina mesmo, o século XXI como a “era do populismo”.

O populismo está, cada vez mais, na ordem do dia e, por cá, vai mesmo crescer, para o bem e para o mal, pelo menos, até setembro (regionalmente) e outubro (nacionalmente).

Politicamente falando, há imensos focos de populismos disponíveis por aí. Existem populismos de direita e populismos de esquerda, religiosos e outros tantos, para todos os fins, manias e (des)gostos.

Os políticos populistas são, também, porventura, os que (ab)usam, demasiadamente do sorriso, dos abraços, dos beijos, das selfies, das fotografias “amorosas” com os animais – gatinhos e cãezinhos, só para caçar o voto. Os populistas estão disponíveis para tudo o que toque supostamente no coração das pessoas, tendo como foco o seu proveito próprio.

Os políticos populistas são, igualmente, os que procuram e promovem constantemente eventos sobre tudo e mais alguma coisa; sobre o “mega isto e o mega aquilo”. Para o “mega” há sempre dinheiro, tudo em grande, o que conta são os números. Mesmo que o resultado de uma iniciativa “mega” seja fraco ou ameno, o populista avalia-a sempre como um sucesso. O povo está farto de melgas, quer dizer: de megas!

O populismo pode ser algo muito doentio para a sociedade e existe em regimes democráticos e em regimes autoritários. E por mais incrível que pareça, o populismo é simultaneamente entusiasta e inimigo da democracia. Para termos bons decisores, temos é que saber discernir, os que atuam com inteligência e afetos, dos seres desprovidos de certas capacidades cognitivas e emocionais.

Na grande maioria dos casos, o populismo é algo vazio, de pouca reflexão consistente e preenchido no momento, de valores vagos, de acordo somente com as necessidades dos seus feitores.

Não é por mero acaso que grande parte dos especialistas afirmam que o populismo representa um perigo para a democracia. Um populista poderá ter diferentes estilos e projeta, por norma, uma imagem cuidadosamente elaborada. É caso para dizer: eles andam aí! É portanto fundamental combater o populista antiético que não age com sentimento e verdade.

Os populistas são líderes que se adaptam às ocorrências. As suas ideias podem até mudar em função das circunstâncias, mas eles estão sempre lá.

Os populistas não são todos carismáticos, uns são mais que outros. Os populistas também não são uns “doidos”, como que se possa parecer, são políticos que têm a capacidade de ler o que são as ansiedades do eleitorado.

Alguns populistas são muito vagos e limitados em termos políticos, por isso é que a sua construção faz-se em grande parte, pelos media. O papel da comunicação social na construção de um projeto populista, é uma característica evidente, quando lhes dão demasiadamente espaço de comunicação.

Por vezes a comunicação social dá visibilidade a mais e transforma o fenómeno do populismo em algo degradante. Um caso concreto é a forma como Trump usa a seu favor os media, incluindo os que estão contra si.

Outro elemento central na divulgação do populismo é o papel das redes sociais. Os populistas usam-nas fortemente, porque é uma forma de disseminar a informação de uma forma muito rápida e diretamente com o seu público alvo.

Não há dúvidas que o que somos hoje em democracia também devemos e muito aos media. Por esta razão é que o jornalismo deve ser sempre a favor da democracia.

A quantidade de informações falsas que propagam pelas redes sociais e até por alguma comunicação social, muitas vezes têm fins populistas. É caso para pensarmos: como podemos acreditar e até votar bem, se não somos informados com verdade?

Portanto, nesta era do populismo estar vigilante é uma obrigação de todos. E uma coisa é certa, quando estamos a ser tão “bombardeados” por seres populistas, se não tivermos a capacidade de raciocínio para “separar o trigo do joio”, jamais saberemos onde começa a verdade e onde acaba a mentira.