SESARAM manda arquivar processo disciplinar contra técnico superior Duarte Nuno Dória “dissidente” do PSD-M e apoiante de Cafôfo

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Duarte Nuno Dória vê o seu processo arquivado pelo SESARAM. Foto FB
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Apoiante de Miguel Albuquerque, ex-militante do PSD-M, é agora defensor da eleição de Paulo Cafôfo para presidente do Governo. Foto FB

O Serviço Regional de Saúde mandou arquivar um processo disciplinar que tinha sido instaurado ao seu trabalhador e técnico superior Duarte Nuno Dória, afeto ao Gabinete de Qualidade, na sequência de declarações públicas de crítica ao Serviço de Saúde, que o SESARAM considerou passíveis daquele respetivo procedimento de averiguação. Duarte Dória foi, até há bem pouco um quadro ativo do PSD-Madeira, esteve ao lado de Albuquerque na conquista da liderança deste no partido, mas acabou por abandonar a militância social democrata por divergências e hoje é apoiante de Paulo Cafôfo.

De acordo com o que conseguimos apurar, o trabalhador encontra-se ausente do serviço, por baixa médica, desde fevereiro de 2018, sendo que essa mesma baixa, que tem vindo a ser renovada sucessivamente, tem o prazo até 28 de junho. O SESARAM aguarda, assim, que Duarte Nuno Dória se apresente ao serviço.

A decisão do SESARAM foi no sentido que o trabalhador não violou “algum dos deveres funcionais” e saíu de de uma reunião recente do Conselho de Administração, tendo  por base a conclusão do inquérito resultante do respetivo processo disciplinar desenvolvido no âmbito do Núcleo Jurídico e de Contencioso do Serviço de Saúde.

As declarações que estiveram na origem do processo prendem-se com dois artigos de opinião, publicados no Diário, onde Duarte Nuno Dória escreve que “lamento o facto do SESARAM optar quase sempre pelos ajustes diretos e não por concursos públicos, abusando ao máximo das possibilidades legais que tem para usar esse método e não optar por um processo mais moroso e trabalhoso, mas claramente mais transparente e se calhar mais benéfico, como é o concurso público. o problema vem de base: falta de gestão estratégica, falta de visão e antecipação e uma clara e ineficaz navegação à vista”.

Refira-se que Duarte Nuno Dória foi um militante social democrata madeirense, um dos apoiantes de primeira hora de Miguel Albuquerque, mas abandonou o partido em 2018 na sequência de divergências com a estratégia social democrata liderada precisamente pelo atual líder. Foram várias as declarações públicas no sentido da crítica à atual liderança do partido, situação que acabou por pesar na sua saída, sendo que, desde então, Duarte Dória tem manifestado as suas posições, ainda mais contundentes, sobretudo neste momento em que assumiu o apoio à candidatura de Paulo Cafôfo.

Neste enquadramento, refira-se uma declaração proferida, ao Diário, no momento da sua saída do PSD: “Fui um dos primeiros ‘100 do Almirante’ que esteve com Albuquerque, estive muito presente nas dificuldades de estar na oposição interna do Partido e estive pouco presente depois das vitórias para as quais tanto trabalhei. Entre estar pouco presente e não estar presente, é natural a minha saída. Há que saber estar e saber sair. Eu vou sair”.

Outra declaração visou mesmo Miguel Albuquerque: “Anunciou que o PSD-M vai chamar novas pessoas e quer garantir a união entre todos, mas a verdade é que é um homem cada vez mais só, num partido cada vez mais divido e que não consegue manter sequer as suas pessoas mais recentes…”

Mais recentemente, a propósito do arraial madeirense em Lisboa: “A Madeira está a caminhar para o abismo, enquanto uns fazem arraiais em Lisboa, jantares em Londres, dão cheques e electrodomésticos nos bairros sociais do Funchal, levam os sócios das Casas do Povo e os utentes dos centros de dia das freguesias ao Porto Santo, etc., etc., etc. … Depois ainda fazem piadas de mau gosto com “picas”! ” Em Setembro temos que nos livrar deste regime decrépito, irresponsável, injusto e imoral!”

“Há quatro anos atrás eu era excelente!  Agora chamam-me de “ressabiado” e “cuspidor de pratos”… Lamento, mas eu não admito, nem aceito, esses termos em relação à minha pessoa. Eu estou muito bem, de consciência completamente tranquila e sem quaisquer arrependimentos: fiz o melhor possível e se as coisas falharam, não foi por minha causa.  A vida continua para todos e a minha tem continuado muito bem”, esta foi outra declaração que podemos encontrar, entre o que foi publicado nos jornais e o que escreveu na sua página da rede social.