Martins Júnior um “vencedor”, D. Nuno Brás um Bispo “que não age sob prisão de interesses políticos” e D. Francisco Santana, D. Teodoro e D. António “derrotados”, escreve o padre José Luís Rodrigues

josé luís
O padre José Luís Rodrigues considera que o caso Martins Júnior foi “a maior vergonha da Igreja da Madeira, que ao que parece a teimosia, a inabilidade, o deixa andar e a incompetência, tiveram necessidade de atravessar mais de 40 anos”.

O padre José Luís Rodrigues, pároco de São Roque e crítico relativamente a algumas posições assumidas pela Igreja Católica, designadamente em diversos episódios ocorridos durante o período de lideranças anteriores, desde D. Francisco Santana a D. António Carrilho, passando por D. Teodoro de Faria, veio a público pronunciar-se sobre a a revogação da suspensão “a divinis” do Padre Martins Júnior, um histórico da vida madeirense, que mais de 40 anos depois vê reposta a justiça pelo novo Bispo do Funchal, D. Nuno Brás.

José Luís Rodrigues escreve, na sua página da rede social Facebook, que “na senda da pastoral do Papa Francisco, que manda ir ao encontro dos últimos, as ditas periferias, veio à luz do dia a solução para o espinho Paróquia da Ribeira Seca em Machico. Finalmente, os sinos dobram a rebate”

Afirma que “em boa hora o diálogo entre pessoas adultas, sinceras e desprovidas de interesses mundanos, estabeleceu um acordo, nada de extraordinário, quando se trata de pessoas adultas, que acreditam no bem comum e mais ainda se estão iluminadas pela luz do Cristo do Evangelho. Foi isto que aconteceu nos últimos tempos na nossa Diocese, que levou a uma solução à maior vergonha da Igreja da Madeira, que ao que parece a teimosia, a inabilidade, o deixa andar e a incompetência, tiveram necessidade de atravessar mais de 40 anos, repito mais de 40 anos, para que surgisse uma solução. Mas, agora apesar de tanto, o que conta mesmo é o mais vale tarde do que nunca. Seja bem vinda esta solução. Deve-se ao novo rumo que o  bispo Nuno Brás pretende imprimir”.

No seu escrito, já publicado ontem, refere que se deve reconhecer que “a reintegração da Paróquia da Ribeira Seca e o Padre Martins há 10 anos teriam sido muito melhor para todos nós. Assim, perdeu principalmente a Diocese do Funchal a força, o saber, o entusiasmo do padre Martins Júnior, que se tivessem estado presentes em tantos momentos cruciais da história da Diocese do Funchal na última década teriam dado um enorme contributo à história da Igreja da Madeira. Assim, resta-nos um vazio confrangedor e mais pobreza espiritual, humana e inteletual. O medo e os preconceitos foram os responsáveis.”

Quanto a D. Nuno Brás, chegou há pouco tempo mas já assume protagonismos na Igreja Madeirense. José Luís Rodrigues expressa a sua opinião de que “tudo isto é possível, porque temos um bispo, que nos vai dando sinais de que não age sob a prisão dos interesses políticos do momento. Vai ser Igreja e fazer a Igreja sob a inspiração do Espírito do Evangelho, desprovida dos jogos de interesses, que quebraram a coluna vertebral da Igreja Católica da Madeira nos últimos 40 anos. Por eles passaram três bispos, onde cada um à sua maneira foi contorcendo-se, ignorando e algumas vezes respondendo com estratégias como se de uma guerra a sério se tratasse”.

O padre alerta que é preciso “não esquecer que meteu polícia (duas invasões ao jeito das piores ditaduras) discursos exaltados com mentiras com o intuito de queimar pessoas e jogar a dignidade das pessoas na valeta, proibições (nomeadamente a proibição de comprarem hóstias para a missa no local onde todas as paróquias se abasteciam para o efeito), e, acima de tudo, a vergonha daquele momento da imagem peregrina, aquele impasse do entra e não entra na Igreja da Ribeira Seca (recorde-se a visita da imagem peregrina de 12 de Outubro de 2009 a 13 de Maio de 2010). Enfim, uma série de coisas abjetas que a história vai testemunhar e seguramente não esquecerá os nomes dos responsáveis por tamanha vergonha na história da Igreja da Madeira”.

Dá uma palavra “às pessoas da Igreja da Ribeira Seca, que sempre estiveram do lado do seu pastor, Padre Martins Júnior, na luta extraordinária de resistência. Ficará o seu exemplo e o seu grito inesquecível, “a Igreja é do povo e o povo é de Deus”

Fala na figura principal, o Padre Martins Júnior. “O timoneiro, o «Moisés» dos tempos modernos, que votado ao abandono, excluído da Diocese e do presbitério, desprezado pelos seus pares, bumbo da festa dos poderes político e religioso, sem legitimidade, porque absurdamente suspenso «a divinis», manteve a serenidade, o brio e a coragem para nunca voltar as costas ao seu povo. Nunca o desproveu da palavra e do pão, para que se mantivesse unido à volta da sua causa”.

Mas também aborda os que considera terem sido os grandes derrotados. “Os principais derrotados, obviamente que todos sabemos quem são e o seus nomes devem ser bem referidos nesta hora. Os três bispos, figuras imprescindíveis da vergonha, os bispos Francisco Santana, Teodoro de Faria e António Carrilho. Eis o tripé religioso onde se apoiou a luta do fazedor do regime do homem só na «casa das angústias», Alberto João Jardim. Este derrotado, que nesta hora deve estar a dar voltas ao juízo, até ver se fala ainda grosso com os antistes amigos do passado”.

“Não quero esquecer outros derrotados, que serão os vários padres, principalmente, os que emprestaram o seu nome para serem nomeados párocos da Ribeira Seca sem que lá pusessem alguma vez os pés, por medo e covardia. Foram os serviçais de uma máscara patética. Ao lado destes, outros tantos que nesta Diocese estiveram também ao lado dos bispos só porque sim. Foi incompreensível assistir a tanta cegueira, surdez e mudez como se o dever de obediência exigisse perder o caráter diante da falta de senso e do fanatismo…Porém, não quero descurar alguns (poucos) que estenderam a mão ao Padre Martins e à Ribeira Seca e que discordavam do que se ia passando, sim  eram poucos, não tinham força. Neste rol, vale pena nesta hora referir um nome incontornável nesta luta, o Padre Mário Tavares Figueira, que sempre esteve com o Padre Martins Júnior. O seu apoio e colaboração devem ter sido imprescindíveis tanto para o Padre Martins Júnior tanto para o seu povo.

E termina com um “bem haja, D. Nuno Brás, sai também como figura principal nesta história, o epílogo que escreve como titular desta Diocese do Funchal começa com uma feliz vitória para si, que marcará positivamente toda a sua ação pastoral futura nesta Diocese. Vai precisar de apoio, porque logo não faltarão as vozes hostis, mas reza a história que o motor da vida não é o medo, mas a coragem. Para ambos estes males não faltarão apoiantes seguidores, porém, seguros e sinceros não são os que seguem o medo, mas os que se alimentam e movem pela coragem”.