Lembrar Horácio Bento de Gouveia

São passados 36 anos, nesta quinta-feira, dia 23 de Maio, sobre o falecimento de meu pai, o escritor, professor, articulista,
conferencista e ensaísta Horácio Bento de Gouveia.

Tal como ele diz no epitáfio da sua sepultura no pequeno cemitério da sua terra natal ,”ESTOU MORTO E ESTOU VIVO “. Na verdade, ele continua vivo nos estudos secundários e universitários de várias universidades nacionais e estrangeiras, que a sua vasta obra literária escolhem estudar,  para os seus Mestrados e Doutoramentos .

Na Universidade da Madeira (UMa), ainda este ano durante a minha permanência na Madeira houve dois Mestrandos que me contactaram, pois estavam a preparar os seus estudos sobre a obra bentiana.

Há cerca de 3 anoso, o meu amigo Dr. António Fournier, ilustre conterrâneo, professor na Universidade de Turim,  me “enviou” um seu discípulo Alessio Sales – que estava a preparar a licenciatura  sobre o conto “Ana Maria”,  a minha casa em Santo Tirso . O jovem queria não só conhecer-me, mas indagar sobre o autor e a sua escrita. Foi uma surpresa muito agradável e, agora este ano, voltou a dar notícias – escrevendo sempre correctamente em português – dando a novidade de que o seu mestrado é sobre o romance “Águas Mansas”. Pediu-me para lhe dizer qual a minha opinião e crítica sobre o romance e o seu mentor é novamente o Dr. António Fournier.

No Brasil, a Prof.ª Lélia Nunes, da Universidade de Florianópolis, uma assídua viajante aos encontros literários no Funchal, contactou-me através de outro  Prof.º  da Universidade de Brasília, meu amigo, pois está já a estudar um outro romance de meu pai “Lágrimas  Correndo Mundo”.
Sinto-me muito feliz por ver que Horácio Bento continua bem vivo e em breve vai ser publicada toda a sua obra literária .

No Arquivo e Biblioteca Regional da Madeira, estão desde o Natal passado depositados para consulta grande parte da biblioteca e
documentação de Horácio Bento de Gouveia; estão também os seis volumes que fazem parte da minha pesquisa e investigação  durante 16 anos de tudo, ou quase tudo, que meu pai publicou em jornais, revistas, almanaques e conferências.

Durante cerca de 30 anos, meu marido e eu íamos habitualmente à Madeira para um encontro literário, lançamento de um livro meu, e assistirmos à missa nesse dia na igreja do Senhor Bom Jesus da Ponta Delgada; também, após a inauguração e abertura da Casa -Museu, fizemos nessa data seis exposições temáticas, sempre com elementos do recheio da Casa-Museu.
Este ano, teremos uma missa de sufrágio neste dia 23 de Maio na igreja Paroquial de Santo Tirso e esta comemoração aqui por mim recordada, sempre com muita saudade.
A todos os meus amigos que, como eu, vão mantendo a “chama” da sua memória, um muito obrigada.