Maio, o mês do nosso coração

Desde há uns anos que a Fundação Portuguesa de Cardiologia dedica o mês de maio, como o mês do coração, na tentativa de alertar a população para a problemática das doenças cardiovasculares, sendo que todos os anos é dedicado a pelo menos um fator de risco,  em particular.

E para que a mensagem subjacente à campanha “Maio – Mês do Coração”, chegue aos seus destinatários, a Fundação Portuguesa de Cardiologia promove uma intensa campanha de divulgação através de diversos meios, tais como: na televisão – com a emissão de um spot nos canais de sinal aberto e por assinatura; na rádio – com a difusão de um spot em rádios nacionais e locais; nos cinemas – com a passagem de um curto filme no início de cada sessão; edição de cartazes para distribuição e afixação nos mais diversos locais – como por exemplo, nos transportes públicos, unidades de saúde, escolas e ginásios;  produção de mupis para afixação nos suportes colocados na via pública em várias cidades; veiculação do banner da campanha em diversos sites; difusão da mensagem da campanha na intranet de várias empresas.

Por estarmos a falar sobre o coração, indaguei um pouco sobre a minha curiosidade em verificar que ao longo da história da humanidade e desde que existe arte, a simbologia do coração aparece constantemente ligada à produção das obras dos artistas.  São vários os artistas clássicos e contemporâneos que utilizaram ou utilizam o símbolo do coração – uns mais do que outros – nos seus objetos de arte, tais como: Leonardo da Vinci, Frida Kahlo, Alexandra Eckert, Renata Barros, entre outros.

O símbolo do coração aparece com uma forte ligação ao religioso, ao artístico, mas também conectado ao profano e ao popular, como é um bom exemplo, os “Corações de Viana”, uma arte em filigrana de grande reconhecimento e popularidade.

Podemos mesmo questionar: Porque será que os artistas utilizam o símbolo do coração em objetos de arte? Provavelmente, por ser um órgão vital, um ícone que é facilmente encontrado no nosso quotidiano, associado às mais profundas emoções; isolado ou atravessado pela flecha de cupido, representa mais do que o órgão coração. Simboliza, universalmente, o amor. O símbolo do coração é o mais universal dos símbolos. Assim a simbologia do coração e a sua inserção na arte sempre foi e será uma marca constante nas mais diferentes formas de expressão artística da humanidade.

Pois os símbolos – onde se inclui os do coração – fazem parte contributiva da imaginação do ser humano para se expressar e criar, a partir de ilustrações, poemas, pinturas, gravuras, e outras formas de expressão artística. A cultura em si depende também, e muito, dos símbolos. Pois o homem como ser racional é um criador de símbolos. A origem do símbolo a partir do coração é um mistério, pois a sua existência sempre foi representada de várias formas, por diferentes povos, ao longo da história da humanidade. E o símbolo do coração está tão presente nas nossas vidas que, por vezes, até passa despercebido ao nosso olhar. Quem não tem pelo menos um símbolo de coração em casa?

Os símbolos através da imaginação, da observação sempre assumiram grande importância em determinadas culturas. O exemplo mais significativo é o formato do coração, como o sinal simbólico mais difundido em todo o mundo e de diferentes formas e tamanhos.

A partir da imaginação os símbolos possibilitam ao ser humano formas de se expressar e interpretar os objetos de pontos de vista diferentes, estimulando, desta feita, a nossa criatividade pessoal e até coletiva.

Com o cristianismo, o coração e o seu símbolo tomou uma nova dimensão. O seu apogeu coincide com o culto ao sagrado coração de Jesus. O coração na simbologia religiosa é um local que pertence a Deus. Podemos ler na Bíblia que o coração é um símbolo de interiorização, de sabedoria, de inteligência e de amor. Neste livro sagrado, o coração aparece como sinónimo de misericórdia e do amor de Deus.

Assim, há que dar uma atenção muito especial ao nosso “coração oco e musculoso, centro motor da circulação do sangue. Simbolicamente falando é o símbolo do amor e representa a força, a verdade, a justiça, a sabedoria, a intuição, o divino, o espírito, o nascimento e a regeneração ” (ZAVADIL, 2015, p.1). Por tudo isto, pense e aja com arte e coração, todos os dias e não somente durante o mês de Maio.