“Dificilmente consegui, em vários momentos, conter as lágrimas, será um dia que nunca vou esquecer”, o testemunho deixado pelo presidente da Câmara de Santa Cruz sobre o acidente

Filipe Sousa dá o seu etstemunho, hoje, na sua página pessoal da rede social Facebook

O presidente da Câmara Municipal de Santa Cruz esteve presente, desde a primeira hora, no acompanhamento da situação resultante do acidente com o autocarro de turismo, no Caniço, que provocou a morte de 29 turistas de nacionalidade alemã e ferimentos noutros 27, sendo 25 alemães e dois portugueses, o motorista e a guia. Hoje, Filipe Sousa decidiu deixar o seu testemunho, nesta fase em que 13 feridos já regressaram à Alemanha, através da sua página da rede social Facebook. “Sinto, hoje, que devo finalmente falar sobre a intensa dor e angústia que me assaltaram nos últimos três dias, após a tragédia que ceifou 29 vidas no nosso Caniço”.

O autarca lembra que acompanhou de perto as operações e assume que “dificilmente consegui, em vários momentos, conter as lágrimas. A dor de ver vidas humanas se perderem, a dor de pensar nos familiares e amigos, a dor dos sobreviventes feridos e longe da sua terra. A dor de ver o que seriam momentos de alegria em férias se transformarem no mais indizível e incompreensível destino. A dor do motorista, o senhor José Sousa,  e da guia, a Jovem Carlota Gomes, nossos conterrâneos, que sofrem pelas feridas, mas que estão também desolados por um sofrimento muito mais profundo. Fui isto que testemunhei de perto nas vezes em que os visitei no hospital. De onde saio sempre de coração pesado”.

Filipe Sousa continua o testemunho sentido: “Sim, faço parte deste povo que gosta de receber, que partilha esta empatia pelo outro e que é a nossa profunda hospitalidade e abertura ao mundo. É esta uma das mais valias que é sempre destacada por quem nos visita: o acolhimento sincero com que são recebidos. Somos este povo aberto, que acolhe, que sente a alegria do outro e que sabe também partilhar e sentir de perto a dor alheia, que depressa se torna nossa. Estes sentimentos genuínos não se alteram com a tragédia que nos tocou a todos como coisa nossa. Foi esta profunda humanidade que testemunhei em todas as equipas que fizeram o socorro naquela quarta-feira, 17 de abril. Homens e mulheres que deram tudo por tudo, que não hesitaram perante o horror, que não fraquejaram nunca, que apenas queriam salvar e que sentiam profundamente cada morte que se confirmava”.

Acentua que “foi dor o que sentimos, mas foram também momentos de profunda humanidade, de genuína entrega e de um profissionalismo a toda a prova. Passado o luto, há que estar à altura do futuro, acompanhando os que ficaram, chorando os mortos, apoiando os que perderam os seus”

“É ainda com uma dor profunda que me dirijo primeiro aos que sobreviveram, manifestando a minha solidariedade e o profundo desejo de uma rápida recuperação. Dirijo-me também aos que perderam os seus, incluindo neste abraço o povo irmão da Alemanha, e garantindo que a Madeira e Santa Cruz em particular, onde vive uma importante comunidade alemã, continuam à vossa espera com a amizade de sempre. Dirijo-me, por fim, a todas as equipas que estiveram no local do acidente. Aos médicos, enfermeiros, aos bombeiros, aos polícias, aos socorridas, aos psicólogos, aos cidadãos anônimos que compareceram no local, alguns deles trabalhadores da Câmara. A todos, sem excepção, o meu abraço e o meu profundo agradecimento e admiração”.

O presisidente da Autarquia refere que “será um dia que nunca vou esquecer, pela dor, mas também pela humanidade que testemunhei. Aproveito este momento para convidar todos a estarem presente no momento ecuménico de oração que terá lugar no próximo dia 25 de abril, pelas 19 horas, na Igreja Matriz do Caniço, e que será presidido pelo Bispo do Funchal, com a presença dia pastora luterana. A todos o meu abraço sentido e a minha amizade”.