
O Emprego será, por assim dizer, a principal “bandeira” do Bloco de Esquerda para este ano de eleições, particularmente atento às Regionais de 22 de setembro. O Emprego, que é como quem diz, o desemprego, o número que ainda está expresso nos inscritos das estatísticas oficiais.
Paulino Ascenção afirma que “depois de 40 anos de Autonomia e de milhões e milhões em fundos comunitários, temos a geração que está a concluir licenciatura ou mesmo o doutoramento, a sentir necessidade de emigrar por não ter aqui colocação. Isto não é desenvolvimento, desenvolvimento é dar condições às pessoas para ficarem na sua terra, terem filhos, construirem a sua vida. Esta é a maior prova do falhanço deste modelo adotado pelo Governo, um modelo de vistas curtas”.
Empregos precários, mal pagos
O líder do BE Madeira afirma que “está em risco o futuro da Região”, também pela redução do número de alunos nas escolas, que a médio prazo irá remeter a Madeira para um quadro de precriedade, falta sde perspetivas e emigração. E quando é confrontado com as estatísticas de redução do desemprego, lembra que “isso até pode ser verdade”, mas aponta uma outra situação que é o facto de “a maior parte dos empregos criados, são precários, mal pagos e sem segurança e não retiram as pessoas da pobreza. É preciso dar segurança às pessoas, no trabalho, criando condições para que possam viver na Região e criar os seus filhos”.
Será, também, que o mercado de trabalho está em contraciclo com a mentalidade dos trabalhadores, como tem apontado o vice presidente do Governo Regional, quando diz que, hoje, não podemos encarar o mercado de trabalho numa perspetiva de empregos das nove às cinco?
“Isso é uma estupidez completa e uma arrogância de quem, se calhar, nunca teve dificuldades na vida. É importante responder à falta de emprego e se a resposta é as pessoas ainda trabalharem mais, então existe aqui um efeito perverso de haver mais gente sem hipótese de aceder ao mundo do trabalho e gente a trabalhar durante mais tempo. O que é preciso é reduzir o horário de trabalho”.
Falta diversificar Economia
Paulino Ascenção aponta a falta de diversificação da Economia como sendo “um dos problemas da Madeira. Nem a Zona Franca nem o Polo Tecnológico, tiveram um efeito positivo nessa diversificação. Temos algumas empresas tecnológicas, mas desgarradas do resto. Temos a atividade de telecomunicações, que tem sido a mais dinâmica em termos de crescimento e produção de riqueza, mas nem consta como atividade de interesse específico no Estatuto da Autonomia. Devia ser uma aposta da Região”.
Neste contexto, é crítico relativamente à ação do Governo naquilo que diz ser “a excessiva concentração da atividade económica num punhado de famílias. E assim estão a impedir que outras atividades se desenvolvam, por força de monopólios que se formam e pelo poder que têm. Quanto mais concentrada estiver a economia, mais fortes ficam os grupos, mais fraco é o crescimento. O Bloco vai combater esse monopólio, o Estado deve assumir as atividades estratégicas, como portos, aeroportos (aqui mais difícil mas é importante tentar), eletricidade. Dizem que a gestão pública é sempre menos eficaz, mas isso é porque não há competência nem exigência. E é preciso envolver todos à volta desses interesses estratégicos”.
Reforço do serviço público na Saúde
O Bloco de Esquerda defende, também, o reforço do serviço público em matéria de Saúde, acusando o Governo de estar a favorecer interesses privados numa área sensível e num contexto em que está a avançar a construção do novo Hospital. “O Governo Regional está a utilizar o novo hospital para “criar uma cortina de fumo que esconde os problemas que existem no Serviço Regional de Saúde, com o favorecimento de privados, como por exemplo o que se passa na lavandaria, também agora na Unidade de Medicina Nuclear, entre outros, como o heliporto que não funciona ou construções em serviços onde depois não cabem as macas”.
Paulino Ascenção é a favor do novo hospital, mas alerta que uma das razões consideradas fundamentais pelo Governo, que estão consagradas no Projeto de Interesse Comum, é a criação de emprego, cerca de 400 na fase de construção. Ora, não se pensa um hospital para dar emprego na construção civil. Constrói-se um hospital para responder às necessidades de prestação de cuidados de saúde. Isto é absurdo, mas só revela a perversão deste regime que está no poder há 40 anos e precisa de uma limpeza”.
Liberalização do transporte aéreo foi escolha do governo
A mobilidade aérea, mas agora também marítima, é outro dos assuntos que marcam um certo clima de tensão Madeira/República. O líder do Bloco é claro: “A solução do transporte aéreo é regressar ao regime de serviço público. Foi uma escolha do Governo Regional em 2008 e os Açores só fizeram essa escolha em 2014. E já vamos em 11 anos sem haver concorrência. E não há concorrência, também, pela existência de obstáculos estruturais, concretos, que nunca vão desaparecer, resultando na inoperacionalidade do Aeroporto em muitos dias. O diretor da easyjet disse que a companhia tem mais incidentes de voos cancelados na Madeira do que a média de todos os outros destinos para onde voa a easyjet, que são muitos. E ninguém quer ver isso, nem PSD nem PS, estão comprometidos”.
Modelo foi feito para proteger a TAP
Relativamente ao subsídio de mobilidade, ainda afastou mais a concorrência, uma vez que “torna o custo igual, para o passageiro, quer viaje na TAP, quer na easyjet. Se o preço é igual, vou para aquela companhia que já sei como funciona. E este modelo foi feito para proteger a TAP, foi negociado em vésperas de privatização da TAP. E veio o PS mas também achou que está bem assim, não quer problemas com os privados e com os mercados financeiros. E isto remete-nos para outra questão, que é quanto mais concentramos negócios em determinados grupos, mais vulneráveis estamos a chantagens, como aconteceu com os grupos face à ADSE ou da Quadrante que ameaça sair daqui”.
No que toca à ligação marítima de passageiros, entre Madeira e o continente, Paulino Ascenção considera “uma falácia dizer que a linha é deficitária”. Lembra aos que defendem essa tese que “o Armas esteve aqui durante quatro anos e não me parece que foi para perder dinheiro. Anunciou a construção de um navio, que concretizou, com caraterísticas próprias para esta ligação, e até pediu uma segunda frequência semanal que foi recusada, na altura depois de queixas dos armadores, onde o grupo Sousa tem grande peso. Isso, as restrições à carga devido à sazonalidade em matéria de passageiros, além de não estar isento de taxas aeroportuárias, fez com que o Armas desistisse. O Governo Regional privilegiou grupos privados”.
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