
É coordenador da CDU/Madeira desde 1999, foi eleito em dezembro de 2018 para novo mandato de quatro anos. Deixou para trás o percurso que fez na Igreja Católica, foi colega do atual Bispo do Funchal, D. Nuno Brás, de curso e de mestrado. Em 1998, ainda padre Edgar, entregou ao então Bispo Dr. Teodoro de Faria, a carta que marcou a saída para outro caminho da vida, a vida que o levou à política, foi o passo seguinte, até hoje, uma constante luta em terra de maiorias absolutas do PSD. Estamos em 2019 e à vista estão três eleições, com o enfoque lá para setembro, altura em que ocorre a consulta para as “Regionais”, no dia 22. O cenário, agora, é outro, por isso a CDU, sendo a mesma, vai redirecionar estratégias para o novo contexto da política madeirense.
Voto útil não é para quem recebe mas para quem dá
Edgar Silva olha o cenário de um ano complexo, não entra em euforias, é igual a si próprio. Mas não deixa de surpreender quando refere que se o povo der mais confiança à CDU no futuro quadro parlamentar, há disponibilidade para assumir responsabilidades num projeto de poder. Mas atenção, nada de “poder pelo poder”, tudo com “compromissos concretos”.
“Neste ano eleitoral, o desafio é particularmente exigente, não só porque existem três eleições, mas também porque há uma forçada bipolarização. E por isso, é importante adequar uma intervenção específica, no plano político, a esta realidade. A nossa ideia central, em termos de orientação estratégica, quando está colocada uma determinada pressão para uma certa ideia do voto útil, é intervir no sentido de esclarecer as pessoas. É preciso que as pessoas entendam que o voto útil não é para quem o recebe mas sim para quem dá, neste caso o eleitor”.
Apelo ao voto “verdadeiramente útil”
É neste enquadramento que Edgar Silva coloca a resposta da CDU aos desafios que irão colocar-se este ano. O combate central contra o voto útil, puro e duro, normal naquele que é o comportamento do eleitorado nestes contextos, será feito com uma aposta na mensagem e no contraponto do “voto verdadeiramente útil”, que na perspetiva do líder da CDU Madeira “é aquele que contribui para a defesa e luta pelos direitos, que pode dar força ao que possa ser um novo rumo para a Região e não um rumo de mais do mesmo”. Na ótica da CDU, “a argumentação à volta do voto verdadeiramente útil é uma linha estratégica de comunicação, em todas as formas de comunicar com as pessoas”.
Outra linha condutora dos comunistas, como forma de fazer chegar a mensagem ao eleitorado, prende-se com a idéia de que “o querer mudar não é, por si só, um motivo para mudar, quando na realidade o importante é que mudem as políticas. Não é por acaso que existe aquela expressão mudam as moscas…mudar entre as políticas de direita é mais do mesmo”.
Há responsabilidades do PS e do seu procurador Paulo Cafôfo
Mas Edgar Silva coloca no mesmo patamar PSD e PS, Albuquerque e Cafôfo, na linha do combate político? A resposta não deixa dúvidas, considera que são todos “farinha do mesmo saco”, como se diz popularmente. E deixa claro: “Os partidos de direita são aqueles que executam políticas de direita. E o que vamos demonstrar é que, em algumas situações, não existiram mudanças e em determinados casos até houve agravamento. E vamos intervir no sentido de demonstrar que há responsabilidades tanto do PS e do seu procurador, Paulo Cafôfo, como do PSD”.
Faz-se uma pausa. Para explicar melhor esta palavra “procurador” aplicada ao candidato do PS à Quinta Vigia. Edgar Silva explica: “O Partido Socialista delegou em Paulo Cafôfo, passou uma procuração, como é habitual fazermos nas situações em que alguém está limitado ou impedido de resolver os seus próprios assuntos. Se o Partido Socialista considerar que é incapaz, o melhor é passar uma procuração para que alguém intervenha em seu nome. E na atual conjuntura, Paulo Cafôfo tem essa função. Temos um PS que tem uma estrutura diretiva, tem militantes, mas a estrutura autoproclama-se incapaz e delega funções”.
Isto tudo para a CDU deixar vincada a ideia que “tanto o PS como Paulo Cafôfo, em alguns aspetos, têm tantas ou mais responsabilidades do que o próprio PSD, na concretização da política de direita. Substituir um por outro, é igual. Ambos usam o mesmo espetáculo comunicacional, a mesma estratégia populista, exatamente as mesmas prioridades e o mesmo modus operandi. Não houve rutura. E em algumas situações, houve agravamento.”
Funchal é o maior concelho do país em lista de espera para habitação social

Edgar Silva dá exemplos do que, em sua opinião, sofreu agravamento com Paulo Cafôfo no Funchal. Fala na Habitação, dá números concretos, relativamente às famílias que se encontram em lista de espera para uma casa. Diz que o Funchal é o maior concelho do País em número de famílias em lista de espera para uma habitação social. O Porto tem cerca de 600 em lista de espera, Coimbra tem cerca de 300, o Funchal tem, neste momento, 3.800 famílias em lista de espera. E no início do primeiro mandato de Paulo Cafôfo, tinha entre 3000 e 3200. Está pior.”
O líder comunista esperava outra política para o Funchal com a mudança para Paulo Cafôfo. Mas cedo chegou a desilusão na perspetiva da CDU, designadamente em matéria de políticas sociais, “onde era esperada uma intervenção que definisse prioridades. Mas não, é igual ao que estava antes.”.
Aponta outro exemplo de responsabilidades repartidas, entre PS com Cafôfo e PSD com Albuquerque. Aponta o Hospital privado, na Nazaré, diz que “PSD e PS rivalizaram no sentido de garantir favorecimentos aos grupos privados na área da Saúde. A Câmara licenciou o novo hospital privado numa área que não era para serviços, licenciou a ampliação relativamente ao primeiro projeto. O Governo da República, em matéria da sua tutela, também facilitou licenciamentos em termos de determinados serviços hospitalares. Mas o Governo Regional não fez por menos, deu garantias ao grupo investidor, facilitou, numa Região que quer construir um novo hospital público. Vamos exigir essa clarificação.”
PSD e PS não se distinguem
“Vejo toda a gente escandalizada com os ditos favorecimentos na área da Medicina Nuclear, mas o PS fez isso, tanto aqui como a partir de Lisboa, relativamente ao hospital privado. Digo-lhe que em matéria de favorecimentos, desta promiscuidade entre público e privado, PSD e PS não se distinguem”.
Mas está a criticar um Governo, na República, que o PCP suporta. Esta é uma observação à qual Edgar Silva não coloca reserva. E responde: “Não suporta, o PCP não suporta. Quando o grupo parlamentar do PS e o Governo manifestam abertura para aprovar algumas medidas que têm a ver com a conquista de direitos, não podemos desperdiçar essas oportunidades. Agora, temos a consciência que o PS, quando chega a hora da verdade, dá o braço ao PSD, como aconteceu no caso do fim das propinas na Universidade ou na reversão dos CTT e da TAP para a esfera pública. Nas questões laborais, é a mesma coisa, PS, PSD e CDS estão lado a lado. O Partido Socialista, naquilo que é estruturante para o País, alia-se ao PSD e ao CDS”.
Não há eleição para presidente do Governo
Neste contexto de medição de forças, que parece ser um cenário previsível para este ano de 2019, envolvendo a tal bipolarização, vem ao de cima um novo enquadramento que, no pós eleitoral, pode valer poder a outros partidos, sendo que tanto CDS como JPP poderão posicionar-se no sentido de se assumirem como “fiel da balança”. E a CDU, qual o papel que está disposta a ter nesse patamar de negociação? É aqui que Edgar Silva surpreende, de certa forma. Não fala dos outros partidos, diz apenas que “queremos apresentar o nosso projeto, credibilizá-lo, leva tempo, dá trabalho. Depois, os cidadãos é que vão decidir. É importante dizer às pessoas que o que está em causa, nas próximas eleições regionais, é a eleição de deputados para a Assembleia Regional. Não há eleição para presidente do Governo, não há candidatos a presidente do Governo. Que isso fique bem claro. A eleição de deputados está nas mãos das pessoas. E posto isto, de acordo com o número de deputados, logo veremos”.
Vamos trabalhar para a eleição de deputados
Está aberto a uma solução, na Madeira, com o formato daquele que existe na República, de governo minoritário? “Na política, não podemos fazer futurologia. Vamos trabalhar para a eleição de deputados. Se o povo da Madeira e do Porto Santo fizerem eleger mais deputados da CDU e se esses deputados pesarem significativamente para a definição de um quadro político, a CDU, com base em compromissos concretos, que tenham a ver com os valores que nos identificam e com os quais nos identificamos, não rejeitaremos a responsabilidade que nos seja colocada através dos votos, assumiremos as nossas responsabilidades. Agora, nunca entraremos em qualquer tipo de processo que não assente numa clara assunção de compromissos bem definidos. Não é o poder pelo poder que justificará qualquer intervenção por parte da CDU”.
Edgar alerta, neste enquadramento de valorização do voto, que “cada eleição de um deputado da CDU é a certeza de uma intervenção pautada pelos valores da coerência e da exigência de defesa de uma autonomia ao serviço do povo e dos trabalhadores”.
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