Bloco de Esquerda diz que o “tampão verde” não sai do papel

O Bloco de Esquerda (BE) diz que são anunciados projetos de zonas tampão para o avanço dos fogos, verbas para aquisição de terrenos, mas falta o essencial, gerir o coberto florestal, combater as espécies altamente combustíveis e promover as espécies mais resistentes.
Os bloquistas foram hoje a São Roque onde começaram os incêndios de 2017. No ano 2000 o Governo Regional tinha anunciado a criação de um “Tampão Verde” nas serras de São Roque e Santo António, uma zona para travar o avanço dos fogos para cima das casas.
 
Os anos passaram e, segundo o BE, o projeto não saiu do papel, foram adquiridos alguns terrenos, mas o projeto ficou na gaveta. Entretanto o atual Governo de Miguel Albuquerque anunciou uma nova zona tampão para prevenir o avanço dos fogos, na zona leste da cidade, foi noticiada a disponibilização de quatro milhões para a aquisição de terrenos para esse fim. 
 
“Aqui surge a perplexidade: o projeto anterior não foi concretizado e anuncia-se um novo, com a mesma finalidade mas numa localização diferente, porquê?”, pergunta o BE.
 
O fundamental é fazer com que o coberto florestal em volta da cidade seja resistente ao avanço dos fogos, não é obrigatório que a propriedade dos terrenos seja pública, não é a propriedade pública ou privada que trava a propagação dos incêndios.
 
Há outros instrumentos que podem ser usados para que o coberto florestal seja mais resistente ao avanço dos fogos, como os planos de ordenamento florestal, as zonas de intervenção florestal e que não implicam investimento na aquisição de terrenos. Corremos o risco de investir milhões na compra de terrenos e depois faltarem os meios para o que é imprescindível – investir na plantação de espécies mais resistentes e no combate às espécies altamente combustíveis como são os eucaliptos, as acácias e outras infestantes.
Assim como os PDM’s servem para definir o que pode ou não ser construído em parcelas urbanas, os planos de ordenamento florestal podem definir que tipo de uso é dado aos terrenos agrícolas e florestais.
Para o BE, a Autonomia pode e deve ser usada para adaptar esses instrumentos legais à nossa realidade, no caso de se considerar desadequados os instrumentos criados no âmbito nacional.
 
“Ou será que há outras razões que determinem a aquisição daquelas parcelas de terrenos naqueles locais em concreto, outros interesses que não a defesa da floresta e a segurança da população?”, pergunta o BE.