Estepilha! É só faturar no privado por conta da doença

A Madeira ainda não tem em funcionamento o hospital privado mas já paga, sem sentir, contas típicas de uma infraestrutura do género. Tudo por conta da apregoada complementaridade entre o sector público e o privado, com o regulador da saúde, o setor público, a fazer de conta que não vê nada.

Neste ciclo de gripes, viroses e outras artroses, e pernate o famigerado  estado caótico das urgências no hospital público, o pobre cidadão sacrifica-se e vai ao privado. Mas o Estepilha alerta já para o que o espera. Só pagar os 55 euros de consulta já passou à história porque não basta para dar lucro ao investimento privado. O estratagema para rentabilizar o negócio privado da saúde é já mandar fazer exames e testes por tudo e por nada. Os administradores chamam a esta praxis a tecnologia de ponta médica para precisar, à lupa, o diagnóstico. O Estepilha gosta de falar claro e em linguagem de antibiótico para matar já tudo quanto é batéria ou vírus: chama-se a isto uma ardilosa folha de cálculo para a rentabilização da maquinaria dita de ponta do privado e para as estatísticas a iludir os incautos. E, sim, há muita gente embalada nesta conversa, por inocência e distração. Só deita as mãos à cabeça na hora de pagar a conta e, atordoada, ao balcão, lá paga e cala.

Por isso, o Estepilha avisa: não se admire, estimado leitor, se levar uma criança à urgência de uma unidade privada da cidade e lhe pedirem logo testes-extra para, por exemplo, tirar dúvidas se deve ou não prescrever um antibiótico. Sim, porque tudo o que os pares fizeram antes está hoje ultrapassado. Tem dúvidas? Venha o teste. Logo, dispara a faturação.

É caso para o Estepilha perguntar: quem defende,  na prática, o interesse público?