Rui Rio critica governo de António Costa como “vendedores de ilusões” e enaltece “estabilidade” e “desenvolvimento” da Madeira

Fotos Rui Marote

O líder do PSD, Rui Rio, discursou hoje no Congresso Regional do PSD-M homenageando as conquistas dos madeirenses “em tudo”, sob 40 anos de governação social-democrata, desde a rede viária ao turismo, desde a cultura à educação, entre muitos outros aspectos do desenvolvimento. Essa obra, frisou, “é do PSD”. Algo que considerou particularmente relevante ao nível nacional, pois, neste ano de eleições (regionais, nacionais e europeias) cumpre aos cidadãos lusos escolher que tipo de modelo de desenvolvimento e governação preferem.

Nesse sentido, traçou um quadro cor-de-rosa da governação regional da Madeira face à actuação nacional do governo de António Costa e dos partidos que suportam o Partido Socialista no executivo.

Acusando o governo da República de pautar a sua actuação pelo dizer de meias verdades e acusando-o mesmo de “enganar os portugueses”, considerou que falta “sinceridade” ao discurso de Costa e seus apaniguados e de passarem o tempo a “vender ilusões” aos portugueses, colhendo descontentamento desde já expresso nas múltiplas greves que afectam os mais diversos sectores.

Ora, do seu ponto de vista, a Madeira é um exemplo para o país, da “estabilidade” que se deseja. A RAM, afirmou, foi a região do país que mais se desenvolveu nas últimas quatro décadas, inclusive com o trabalho dos autarcas, também social-democratas, que levaram esse mesmo desenvolvimento mais longe. “A obra feita na Madeira enche-nos a alma”, maravilhou-se Rui Rio. Por outro lado, criticou os ímpetos centralizadores, garantindo que os países mais desenvolvidos são os países mais descentralizados. Nesse sentido, defendeu-se, e às suas negociações com o governo central, na tentativa de levar ao resto do país a descentralização possível, hoje em dia. “Para ver se conseguimos fazer, no continente, um pouco do que se fez nas regiões autónomas”.

No sentido da estabilidade desejada para o país, agradeceu o contributo “sensato” do PSD-M no recente Conselho Nacional, que visou apresentar um partido uno e pronto a enfrentar os “desafios relevantíssimos” que se colocam em 2019. E, considerou, o que é válido para a Madeira, ao nível dessa estabilidade governativa e partidária desejada, vale também para todo o Portugal.

Dizendo não trazer lições para a Madeira – antes vir cá ver “como é que se faz” – Rui Rio apontou todavia que “nem tudo as autonomias podem resolver”, havendo obrigações estatais que não podem ser ignoradas. Nesse sentido, criticou a falta de resposta que entende existir do governo de Costa em matérias como os transportes aéreos e marítimos ou o novo hospital. E também uma atitude que considera ter existido, de agir de forma tortuosa “em cima das eleições”, para que, uma vez as mesmas passadas, tudo volte ao mesmo.

Por outro lado, criticou de forma azeda o governo central que “anda ao colo com os candidatos que por si só não conseguem chegar aonde pretendem”, numa clara indirecta ao candidato do PS-M, Paulo Cafôfo, e às visitas à Madeira de ministros do governo da chamada “geringonça”.

Sem querer dar lições, deixou todavia uma recomendação aos dirigentes madeirenses, o de reforçarem os contactos com as bases. E de lhes dar a entender: querem para o país um governo semelhante ao governo regional, ou querem para o governo regional um governo semelhante ao governo da República? As pessoas têm de perceber bem isto, para que, em ano de eleições regionais e nacionais, escolham em consciência.

Conforme disse, o panorama da governação nacional pauta-se por uma “ausência de estratégia de crescimento económico”, por uma “grande degradação dos serviços públicos”, e por uma actuação que frequentemente não dá a entender toda a verdade, enganando os cidadãos.

A gestão económico-financeira é também, do ponto de vista de Rio, altamente criticável, pois o Governo de António Costa “aproveita todas as folgas para satisfazer os partidos” que suportam os socialistas no Executivo, optando por “contentar de modo imediato” e não acautelando o agravar, num futuro previsível, de uma austeridade que se apregoa ter acabado. “Amanhã haverá circunstâncias mais difíceis às quais será necessário fazer frente”, avisou.

A falta de estratégia governamental, garantiu, está bem expressa no Orçamento de Estado para este ano, e a coligação que governa o país enferma, ela própria, de numerosas dissensões, inclusive ao nível ideológico. Por outro lado, o governo português viola a sua própria ideologia supostamente igualitária de esquerda, ao “acabar com o salário mínimo nacional”, para criar “dois salários mínimos sectoriais”, um para o sector público, outro para o sector privado. “Não se pode criar um salário mínimo que não seja igual para todos”, asseverou.

Prosseguindo com as críticas, apontou que Portugal teve nos últimos quatro anos a pior taxa de crescimento da União Europeia, tendo simultaneamente agravado o endividamento das famílias por via do crescimento dos impostos indirectos.

Quanto ao Serviço Nacional de Saúde, deu-o como exemplo da degradação do sector público e das estruturas governativas e da responsabilidade que têm por sectores fundamentais para a vida dos cidadãos. “Há muitos portugueses”, referiu, “que se vêem obrigados a fazer seguros de saúde, nomeadamente 2,7 milhões de pessoas”. E isto porque o Estado português não lhes dá resposta.

As listas de espera para consultas e cirurgias aumenta, faltam médicos de família, criticou, o que se reflecte numa baixa qualidade de vida para os cidadãos mais desfavorecidos. Quanto ao serviço público de transportes, também se degradou, conforme denunciou. E a transportadora aérea nacional da qual o Estado resolveu ficar com 50%, mesmo assim degradou também bastante a oferta de transporte aéreo de passageiros.

Na sua intervenção, Rui Rio apelou também a que se procure sensibilizar ao máximo os cidadãos, inclusive os madeirenses, para a necessidade de valorizarem as eleições europeias. Não se pode, disse, continuar a assistir aos níveis de desinteresse e abstenção a que até agora temos assistido, até porque agora a Europa está cada vez mais presente nas nossas vidas e é de fulcral importância para a manutenção e desenvolvimento da nossa economia.