“Estaleiro – Obras em Curso para um Amanhã Qualquer” é como se designa o trabalho teatral da “Contigo Teatro” que estará em exibição a partir de 16 de Janeiro no Teatro Municipal Baltazar Dias. No corrente ano esta companhia teatral comemora vinte anos de actividade, e este espectáculo integra-se no programa comemorativo que se realizará ao longo de 2019.
Esta é a 31ª produção da “Contigo Teatro”, tendo sido criada a pensar no público jovem e nas limitações que a sociedade impõe aos seus sonhos.
“Na verdade, a nossa relação com o teatro tem permitido um trabalho de partilha e congregação de saberes, tendo os jovens como destinatários privilegiados, fomentando o espírito crítico, a reflexão e a partilha de pontos de vista, contribuindo para a sua formação enquanto cidadãos activos, conscientes da importância transformadora da arte nas suas vidas. Neste espectáculo, a poesia dá voz a conflitos, a futilidades e angústias e ilumina-nos na descoberta do amor e na esperança de um amanhã qualquer, sempre em construção e tantas vezes adiado. Poemas completos, fragmentos… versos soltos… surgem como a voz da consciência de habitantes que expõem a sua des(H)umanidade”, refere uma nota da “Contigo Teatro”.
A companhia aproveita para agradecer ao público, particularmente às escolas e a todos os professores e alunos que, ao longo destes vinte anos “encheram as salas do teatro e nos fizeram ver que vale a pena investir nesta arte que, acima de tudo, é VIDA”.
A sinopse do espectáculo, assinada por Ricardo Brito, o respectivo encenador, reza assim: ” Noite… a mais longa de todas as noites. Construímos muros em nome do nosso pequeno nada, eriçados pelo medo de tudo perder. Preventivamente. Delimitamos zonas de segurança em toda a nossa volta, numa espiral que isola o eu em si mesmo. Preventivamente. Suspendemos o humano por instantes, consumindo os recursos de que dispomos em proveito próprio. Preventivamente. Passamos a ver o outro através de grades, não sabendo, já, se estamos dentro ou fora delas. Tornamo-nos cativos quando deixamos de cativar. Preventivamente… fechamos para obras, abrimos o estaleiro. Procuramos, na poesia, matéria-prima para a descoberta de um novo sentido, que nos leve da sabedoria das palavras ao que ainda nos resta de essencial, de humano, através de personagens que não são mais do que despojos de si mesmas, mas em busca de um amanhã qualquer”.
Neste espectáculo são declamados textos de António Franco Alexandre, Assunção Varela, Cesário Verde, Eugénio de Andrade, Fernando Pessoa e heterónimos (Alberto Caeiro e Ricardo Reis), Mário Cesariny, José Mário Branco, Luís de Camões, Mário de Sá Carneiro, Miguel Torga, Ruy Belo, Sophia de Mello Breyner Andresen e Coletivo. A interpretação está a cargo de Ana Olim, António Neto, Carolina Fernandes, Cristina Ferreira, Joana Ferreira, Luís Varela Costa, Luís Gomes, Maria José Costa, Marta Garcês, Paulo Nóbrega e Ricardo Sales.
O espectáculo será exibido de 16 a 20 de Janeiro no Teatro Municipal Baltazar Dias, e nos dias 1 e 2 de Março no auditório do Centro das Artes Casa das Mudas.
Ricardo Brito, 39 anos e natural de Coimbra, iniciou o seu percurso teatral no Teatro dos Estudantes da Universidade de Coimbra
(TEUC) no ano de 1999, sendo, à época, aluno da licenciatura em Filosofia na referida universidade. Completou o Curso de
Iniciação Teatral do TEUC em 2001, iniciando nesse ano o seu percurso artístico. Entre 2001 e 2012 desenvolveu, ininterruptamente, actividade profissional como actor, tendo integrado elencos de aproximadamente 30 produções teatrais. Durante desse
período, foi também responsável por projectos de expressão dramática / teatro em escolas do 1º ciclo e com grupos de adolescentes. Iniciou a sua prática na encenação no ano de 2009, tendo dirigido, até à data, 4 espectáculos para a infância.
Desde 2013 a residir na Madeira, orientou o grupo de teatro da Escola Básica e Secundária de Machico no ano lectivo de 2014/15,
tendo sido laureado com o prémio de melhor encenação na edição de 2015 do Festival Carlos Varela, com a criação original SMS*
Ser mais só. Tem colaborado em produções da DSEAM, integrando o elenco de espectáculos sob a direcção de Miguel Vieira e
Juliana Andrade. Dirige actualmente ateliês de teatro no Colégio Salesiano do Funchal e na Associação Avesso da Ponta do Sol.
Ao longo da sua actividade profissional, foi dirigido por encenadores como Nuno Pino Custódio, António Mercado, Rogério de
Carvalho, Marco António Rodrigues, António Fonseca, José Carretas, entre outros. Shakespeare, Anton Tchekov, Buchner, Brecht, Ibsen e Genet são alguns dos autores que teve a oportunidade de trabalhar. A Escola da Noite, O Teatrão, Teatro das Beiras, ESTE – Estação Teatral da Beira Interior são algumas das companhias por onde foi construindo o seu percurso artístico. O espectáculo OVNI (onde vive a nossa infância) foi o seu primeiro trabalho com a Contigo Teatro, refere uma nota da companhia.
Podem ser realizadas reservas pelos telefones 965228407 /968279774, ou pelo endereço electrónico: estaleirocontigoteatro@gmail.com
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