2.ª Jornada a ler promove a Voz como património único

Fotos Micaela Martins

*Com Micaela Martins

Numa interessante e vasta conjugação de saberes, olhares e dizeres de distintos profissionais da voz, ao longo do dia de ontem, cerca de cinquenta docentes de diversas escolas participaram nas dinâmicas e variadas formações sobre a voz, instrumento de trabalho, de poder, de essência, de alma, de vida. A “2.ª Jornada a ler – Voz, património único”, promovida pelo professor Sandro Nóbrega, decorreu no auditório da Biblioteca Pública Regional.

Depois das divertidas, mas pedagógicas palavras do Diretor Regional de Educação, Marco Gomes, e do valioso contributo de Fátima Barros, diretora do Arquivo Biblioteca da Madeira, Sandro Nóbrega lançou os resultados do estudo que efetuou a propósito da relação entre os alunos do ensino básico e a leitura.
Posto isto, Filipe Luz, Fábio Ferro e Andreia Sousa alertaram a plateia para os riscos a que expõe a sua voz e deram-lhe preciosas dicas para os evitarem.
A dupla Ana Isabel Gonçalves e Paula Pina levou os docentes ao riso com técnicas dramatizadas e dinâmicas de trabalhar textos, revelando-lhes o que fazem no âmbito do projeto PROL – Projeto de Literacia Emergente – e os seus sucessos.
Antes do almoço, ainda, uma conferência em linguagem gestual, com o professor de língua gestual portuguesa, Pedro Ribeiro e as intérpretes Joana Vieira e Maria Garrido, arrebatou o público e levou-o a outro olhar sobre a voz, uma voz comunicada através das mãos.
António Macedo Ferreira da TSF revelou o poder da voz na transmissão de emoções e na condução de formas de ver, de multidões, uma voz exasperada, desesperada, apaixonada, incentivadora, motivacional. Pedro Macedo mostrou que a manipulação da voz, ou de sons, através dos programas de áudio pode proporcionar uma amplitude distinta da sua força.
Lídia Araújo, docente de Português e membro da associação Xarabanda, narrou alguns dos resultados de um trabalho de recolha que este grupo e os Banda d’Além têm feito e o quanto perdemos da tradição oral até à escrita; mais, o quanto da vida do texto se perdeu já na transcrição, texto esse que tem de ser ressuscitado depois, através da música, do teatro e das leituras, entre outros. O público pôde igualmente ouvir a oradora a cantar um tema acompanhada do Tozé, também dos Xarabanda.
Graça Alves e Cláudia Faria do CEHA entretiveram os demais docentes com uma animada comunicação e leitura de textos, cujo intuito era servirem de amostra a um trabalho que tem sido feito no âmbito do projeto “Memória das gentes que fazem a história”.
Por fim, na conferência de encerramento, Luísa Paolinelli, Cristina Trindade e Carlos Barradas revelaram um pouco do que tem sido feito na recolha e divulgação dos autores da Madeira, sugerindo a necessidade de os incluir no plano global e nacional de leitura.
Sandro Nóbrega brindou, “em jeito de conclusão”,  a sua plateia com uma bonita atividade de encerramento, com texto lido e cantado, numa conjugação da sua voz com a de Maria José Leal.