PSD aponta Funchal como “cidade caótica e desorganizada” resultado de “ausência de planeamento”

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Raquel Silva: “O Funchal atravessa “um período de crise” em termos de trânsito e mobilidade pedonal.” Foto Rui Marote
Paulo Marques
O debate sobre mobilidade foi proposto pelo PSD. Foto Rui Marote
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Gestão da CMF debaixo de “fogo” social democrata. Foto Rui Marote

“Planear e gerir uma cidade é um desafio permanente e diário, que não se compadece com meios-termos, com a falta de decisões, com posições dúbias ou com ausências de quem está incumbido de governar”, disse esta segunda-feira a deputada municipal do PSD, Raquel Silva, durante a Assembleia Municipal extraordinária, onde se debateu a Mobilidade no concelho.

Para o PSD, o Funchal é “uma Cidade caótica e desorganizada, resultado de um mau planeamento e, muitas vezes, por culpa de uma total ausência de planeamento. É este o Funchal que todos os que nele vivem, trabalham e passeiam encontram todos os dias”.

“Na qualidade de Partido proponente deste debate específico, queremos enaltecer a importância deste encontro não só pelo impacto que a mobilidade urbana tem no dia-a-dia de cada um de nós e no modo como poderá afetar a qualidade de vida dos Cidadãos” continuou Raquel Silva, dizendo que o Funchal atravessa “um período de crise” em termos de trânsito e mobilidade pedonal.

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Paulo Lobo: “O executivo camarário não tem uma estratégia para a Mobilidade no Funchal”. Foto Rui Marote

Para a bancada social democrata, “exemplos não faltam. São as obras na Rua do Bom Jesus. É a intervenção na Rua Fernão de Ornelas. É o afunilamento da Rua João de Deus. São semáforos mal sincronizados. Passeios intransitáveis devido a esplanadas desordenadas. Temos diariamente um desafio que é o de adivinhar se a Rua do Bom Jesus está novamente aberta ou se fecharam para continuar as obras; ao mesmo tempo, numa outra artéria fundamental no centro da Cidade, temos uma outra obra a decorrer”, notou a deputada social-democrata, referindo-se à Rua Dr. Fernão de Ornelas, que ficará condicionada até 30 de Novembro”.

O Funchal, continuou, não se compadece com as “experimentações” da Coligação, nem com o desnorte de quem, como este executivo municipal, quis “esvaziar a importância” deste debate, apresentando tempos médios de circulação contraditórios.

“Em que cidade? Com que relógio?”, questionou Raquel Silva, referindo-se aos tempos médios de espera no Campo da Barca ou na Rua 31 de Janeiro que, na semana passada a Autarquia contabilizou em 4,5 minutos e oito minutos (hora de ponta), e hoje, no dia do debate, já apresentou números diferentes: 10 minutos para atravessar a Cidade. “Não deixa de ser interessante que a preocupação foi a de tentar esvaziar a importância do debate com a publicação de tempos, diferentes dos anteriormente assumidos, numa clara assunção de desespero e de desnorte sobre a questão de fundo: o caos do trânsito na cidade do Funchal.

“Senhor Presidente não nos diga (…), que a culpa é de quem veio antes, porque antes de si, agora, veio você no mandato anterior”, concluiu a deputada do PSD, antes de Paulo Lobo, o professor universitário que foi convidado para intervir no debate, criticar a falta de estratégia municipal para o trânsito.

“O executivo trata este tema, central para a promoção da inclusão e de uma maior justiça social, através da proposta (e, pior, da implementação) de medidas avulso, cujas consequências vamos sentindo diariamente, inclusivamente no trânsito que temos de enfrentar”, disse o docente da Universidade da Madeira, defendendo a necessidade de planear a Cidade, antes de ir para o terreno avançar com projetos.

Para Paulo Lobo ficou claro que executivo camarário não tem uma estratégia para a Mobilidade no Funchal. “Veja-se o PAMUS [Plano de Ação para a Mobilidade Urbana Sustentável], que o executivo num dia diz definir a sua estratégia para a mobilidade, para no dia seguinte criticar, rejeitando propostas em cuja elaboração participou”, disse, exemplificando com o facto da CMF não ter em consideração orografia acidentada do Funchal, nem apresentar um estudo de tráfego. O resultado, sublinha, são propostas desadequadas a realidade da capital madeirense.