
A Cultura madeirense está de luto: morreu o maestro Victor Costa. A notícia foi avançada há pouco pelo JM. O Funchal Notícias tinha já conhecimento de que o cantor e compositor, autor do Hino da Madeira, se encontrava doente e internado no Hospital dos Marmeleiros, mas este lamentável desfecho surpreendeu-nos.
João Victor Costa tinha 79 anos de idade. Foi um grande dinamizador da música coral na Região Autónoma da Madeira, tendo dinamizado múltiplas formações um pouco por toda a ilha. Natural do Estreito de Câmara de Lobos, onde nasceu em 1939, os seus primeiros contactos com a música, nomeadamente com a de origem sacra, fizeram-se no Seminário Diocesano, que frequentou durante nove anos. Ali nasceria um amor pela música sacra que encontraria expressão em oratórias de sua autoria.
Na antiga Academia de Música e Belas Artes da Madeira, formou-se em canto e composição e ainda estudou piano. Bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, foi estudar em Munique, na Alemanha, onde, durante três anos, sob a orientação do professor Gerard Hüsch, se especializou na interpretação de reportório de Lieder (canção clássica), oratória e ópera. Frequentou também cursos de aperfeiçoamento em Viena e Salzburgo, na Áustria.
Prosseguiu depois uma carreira internacional como tenor, que o levaria a actuar em prestigiadas salas de espectáculo nacionais e estrangeiras, e o levaria mesmo em digressão a países como Israel. Apresentou-se também em numerosos espectáculos na Alemanha, inclusive em óperas de grande destaque como “O Trovador”, ou “A Força do Destino”, de Verdi, “Tosca”, de Puccini “Manon Lescaut”, de Jules Massenet, e outras.
Na Checoslováquia, onde actuou diversas vezes, obteve assinalável êxito, sobretudo na parte de tenor do Requiem de Verdi. Participou ainda nos festivais da Semana Santa de Bibau, executando as partes de tenor emPsalmus de Kodaly, Christus de Liszt e Rei David de Honneger.
Cantou, em Novembro de 1972, no Teatro D. Luís, acompanhado pela orquestra Filarmónica de Lisboa “Os amores do Poeta”, de Ivo Cruz, nos festivais camonianos da cidade de Lisboa, promovidos pela Câmara Municipal de Lisboa tendo a crítica feito as melhores referências à sua actuação, refere a sua biografia.
Em 1973, desempenhou o papel principal na opereta o “Conde de Luxemburgo” levada ao palco no Teatro da Trindade.
Foi mesmo admitido na Sociedade de Compositores Alemães. Desde 1980, altura em que, depois de 16 anos vividos na Alemanha, se voltou a fixar em Portugal, a sua actividade centrou-se sobretudo na campo da composição. No âmbito das comemorações do IV Centenário da 1º edição dos Lusiadas, Victor Costa musicou 14 sonetos de Luís de Camões, que publicou em obra discográfica.
Foi ainda professor de canto no Conservatório de Musica da Madeira. Foi publicamente louvado pela autarquia camaralobense em 2011. A CMF realizou um concerto em sua homenagem em 2016.
João Victor Costa lançou ainda um disco na Região, “Portrait de uma voz”, e era uma figura muito conhecida na cidade do Funchal, onde era frequente vê-lo a frequentar os cafés, sempre escrevendo música nas partituras que sempre o acompanhavam. Para além disso, era uma voz crítica e que se ergueu várias vezes em defesa do que era sua convicção ser mais apropriado para a cultura musical madeirense. Em consequência disso, colocou várias vezes em causa decisões governamentais relativamente ao Conservatório de Música da Madeira ou à gestão dos superiores interesses da música na RAM.
Os pianistas e professores Robert Andres e Honor O’Hea lançaram em 2008 na etiqueta “Numérica”, um notável disco interpretando as composições de Victor Costa para piano.
O “maestro”, como era conhecido, fará, certamente, falta. À família enlutada, o FN apresenta as mais sinceras condolências.
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