Ministro das Finanças diz que República “cumpriu na íntegra” o compromisso com o novo hospital da Madeira, Sara Madruga fala em “vergonha nacional”

Sara Madruga Costa
Sara Madruga da Costa questionou o ministro Centeno sobre o novo hospital.

Mário Centeno, o ministro das Finanças, foi hoje confrontado, uma vez mais, com o apontado incumprimento da República face às promessas do primeiro ministro António Costa, relativamente aos 50% que o Estado iria assumir na construção do novo hospital, mas que, pelas contas da Região, correspondem a cerca de 13%.

O ministro foi claro, perante os deputados na Assembleia da República, quando disse que “o compromisso assumido com o Hospital da Madeira foi cumprido e cumprido na íntegra. Foi cumprido na integra, aliás nós estamos a financiar o novo Hospital da Madeira e não estamos a financiar outros estabelecimentos da Madeira”.

Mário Centeno referiu que “o Governo está a co-financiar num processo financeiramente muito exigente, quer para a república quer para a RAM e era bom que a transparência que os números da Resolução do Conselho de Ministros transparecem seja usada de forma responsável”.

Esta posição do governante surgiu na sequência de questões colocadas pela deputada do PSD-Madeira Sara Madruda da Costa, que exigiu a Mário Centeno que honre o compromisso de financiamento de 50% do Hospital da Madeira e qualificou de “aldrabice, a falta de palavra do Governo que depois de três anos a adiar, anuncia uma coisa e faz outra. Anuncia 50% e assume pagar menos de 13%. Num dia anuncia um financiamento superior a 132 milhões de euros, no outro 96,5 milhões”.

Hoje, ocorreu mais uma oportunidade para o PSD não deixar “morrer” este novo contencioso das Autonomias, com temas pendentes e cuja solução parece distante, relativamente ao que a Região considera como compromissos não cumpridos pela República.
“A falta de palavra do Governo da República em relação ao financiamento do novo Hospital da Madeira e à revisão da taxa de juros do empréstimo da Região é uma vergonha nacional”, referiu a deputada Sara Madruga da Costa esta tarde na Assembleia da República, perante o Ministro das Finanças.

A deputada madeirense Sara Madruga da Costa “lamentou a forma como o Governo e o Orçamento do Estado para 2019 tratam questões essenciais para a Madeira”, com Mário Centeno a ouvir no âmbito da apreciação na generalidade da proposta de lei do Orçamento do Estado.

“O sr. Ministro acabou de referir que o “que não é gasto com juros é despesa que fica para os portugueses, para aumentar o rendimento das famílias e das empresas e para melhorar os serviços públicos. O que esta proposta de Orçamento nos diz sr. Ministro, é que o Governo não está preocupado com a poupança de juros dos portugueses da Madeira, mas apenas com a poupança de juros dos portugueses do continente. Porque se estivesse preocupado com o rendimento das famílias e das empresas madeirenses tinha proposto uma verdadeira redução fiscal dos juros da dívida, com uma taxa de 2,5% e não 2,95% acrescida de spread”, ironizou a deputada social democrata.