Patrícia Sumares cativou os alunos com uma bem conseguida exposição na “Gonçalves Zarco”

Muito bem conseguida a exposição da artista plástica madeirense Patrícia Sumares na galeria Espaçomar. A mostra, intitulada “Triunfo da Cegueira”, foi planeada especificamente para aquele espaço artístico da Escola Gonçalves Zarco, no Funchal, e foi inaugurada hoje, com a presença de autarcas da CMF e do presidente da Junta de Freguesia de São Martinho, além de responsáveis escolares.
A exposição comissariada por Luís Guilherme de Nóbrega apresenta-se como uma excelente síntese dos trabalhos desenvolvidos pela artista ao longo de quase duas décadas e meia. Até custa, na realidade, a crer no que se conseguiu apresentar num espaço tão limitado, num jogo espacial que demonstra claramente a mestria expositiva dos seus responsáveis. O resultado é uma bem articulada mostra que percorre várias intervenções emblemáticas realizadas por Patrícia Sumares no decurso da sua carreira. E uma proposta artística bastante sedutora e surpreendente para os alunos, cujas reacções de curiosidade e espanto aquando da inauguração foram bem elucidativas. De resto, a própria artista, numa breve alocução, convidou-os a “sonhar” e a alargar sempre os seus horizontes.
Aqui, apresenta-lhes uma abordagem ampla e global ao seu trabalho artístico. “Como a exposição é feita num espaço escolar, numa galeria que pertence à Escola, o que tentei fazer foi uma pequena retrospectiva, como quem pára um bocadinho e reflecte, meditando naquilo que até agora criei”, disse Patrícia ao Funchal Notícias.
“Tentei também criar também uma intervenção única para este espaço, nomeadamente a janela da galeria, como se fosse a alma deste lugar. Esta é, portanto, uma intervenção que é nova. Os restantes trabalhos já foram expostos, como a porta que esteve patente na Rua de Santa Maria, ou o jogo de espelhos, que é uma forma de atrair os jovens a este espaço e à arte, à qual, infelizmente, os alunos tendem a ser cada vez mais indiferentes (…)”, acrescentou.
A intervenção com recurso a espelhos é de facto muito curiosa, parece ampliar substancialmente o espaço da galeria e projectar uma perspectiva até ao infinito, para cima e para baixo, causando nos visitantes uma quase sensação de vertigem que é, efectivamente, divertida e surpreendente. “A arte tem de cativar”, diz Patrícia Sumares. Foi o que tentou fazer, numa tentativa de motivar os jovens estudantes. Aparentemente, pelo que vimos na inauguração, realmente conseguiu-o.