Porto Novo, capital do Benim, país da África Ocidental, teria sido uma feitoria fortificada portuguesa, onde porém nada resta. Todas as actuais construções são francesas. Portuguesa é, no entanto, a construção inicial do forte de São João Baptista de Ajudá, como os portugueses chamaram à localidade hoje conhecida como Ouidah. A construção data do final do século XVII, por determinação de D. Pedro II, ao governador de São Tomé e Príncipe, então Jacinto de Figueiredo e Abreu.

A fortificação, entretanto, foi abandonada, voltando a erguer-se novamente entre 1721 e 1730, uma obra a cargo do mercador de escravos brasileiro José Torres, com capitais dos comerciantes da Baía, mediante imposto ali cobrado sobre o desembarque de escravos.
Após a proclamação da República e dada a ocupação da área pelos ingleses, a guarnição do forte era somente de dois funcionários coloniais. Tendo o antigo Daomé passado a colónia francesa, veio a assumir a independência a 1 de Agosto de 1960, passando a requerer a entrega do forte e, no ano seguinte, ,uma força militar cercou mesmo as instalações, determinando a saída dos funcionários até 31 de Julho de 1961.
O presidente do Conselho, Salazar, ordenou então ao funcionário ali em serviço que incendiasse as instalações antes de sair.
Hoje transformado em Museu de História de Ouidah, o forte ficou em 1965 sob administração da República do Benin. A anexação só foi reconhecida por Portugal em 1985, tendo em 1987 o coronel Sousa Lobo orientado as obras de reformulação a expensas da Fundação Calouste Gulbenkian.

Há vários marcos históricos espalhados pelo litoral, como a “Porta Sem Retorno” em Ouidah, um memorial que identifica o ponto de partida dos escravos que iam para o Brasil ou para as Índias Ocidentais.

Nos séculos 17 e 18, os rituais africanos fundiram-se com o catolicismo para formar o vodu haitiano, a santeria cubana e o candomblé brasileiro. Os escravos que retornaram, durante o século XVIII, levaram essa forma sincrética do vodu de volta para Ouidah e outras cidades da região.
Os praticantes do vodu idolatram inúmeros deuses e divindades que habitam objectos que variam desde pedras até quedas de água. Acreditam que os espíritos dos seus ancestrais vivem entre eles, e usam talismãs (ou feitiços) lançados por bruxas.
“O vodum é a África, é a fé dos nossos ancestrais”, afirma Dagbo Hounon Houna II, o chefe espiritual do Benim, onde vinte por cento da população, o equivalente a um milhão de pessoas, pratica o vodu puro e outros 40 por cento uma forma que incorpora
os símbolos cristãos. Durante uma visita do Papa Bento XVI a Ouidah, os cristãos praticantes do vodu estabeleceram uma trégua que alguns adeptos consideraram deplorável, pois afirmam que sofreram com a perseguição dos missionários.
Ajudá, ou Ouidah, dista cerca de 40 km de Cotonou, sede do governo de Benim. É uma viagem que dura 50 minutos. Permaneci dois dias, hospedado na “Casa Del Papa”, um resort de praia confortável com 60 quartos, incluindo chalés e quartos de frente para o lago. O restaurante é excelente. e um jantar com peixe sai por volta de 12 mil francos CFA.
Percorri as vielas de Ajudá, o antigo porto de comercialização de escravos, passando em frente ás casas coloridas sombreadas pelas mangueiras e palmeiras. Esta é antiga Costa dos Escravos, que ia do Gana até parte da Nigéria. A memória emociona ao vermos na fachada do museu de história de Ouidah o escudo da Bandeira Portuguesa.



Tudo isto tem a ver com o passado da nossa nação. Aqui, milhões de seres humanos foram aprisionados e transformados em escravos, e embarcados para as colónias europeias ou as Américas. Salvador da Bahia era, entre muitos outros, um porto de desembarque. Este não é certamente o capítulo mais bonito da história portuguesa, mas aqui foi escrito, sem dúvida, um capítulo da Expansão.
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