
A Galeria Anjos Teixeira promove uma nova iniciativa no âmbito da programação “História com estórias”, como forma de assinalar os 50 Anos da Autonomia, desta feita abordando as “Estratégias de Sobrevivência – Tradições Alimentares na Madeira”, evento cultural que está agendado para o próximo dia 28 de Maio, pelas 19h, à Rua João de Deus nº 12, no Funchal.
Qualquer observação atenta dos usos específicos das populações de menores recursos económicos leva à constatação da existência de produtos alimentares quase desconhecidos e que se situam à margem dos hábitos normais. Esses produtos alimentares, geralmente vegetais, constituem uma importante solução em períodos de fome e, afinal, muitas vezes são eles que permitem a sobrevivência de boa parte da população, e, como recurso extraordinário são objecto de algum grau de secretismo por parte dos seus utilizadores, o que contribui para que sejam geralmente ignorados pelas classes mais favorecidas economicamente, que os veem com intenso desdém, refere uma nota alusiva.
Porém, nos tempos mais recentes essas práticas têm vindo a ser “redescobertas” e até aproveitadas a nível gastronómico, sendo imperioso o seu estudo.
Na zona continental do nosso país podem mencionar-se, por exemplo, os “espargos bravos”, as “túberas”, os “míscaros” e outros tipos de cogumelos ou as beldroegas, entre muitos outros. Este fenómeno verifica-se também ao nível da Região Autónoma da Madeira e, por isso, ao comemorarem-se os 50 anos da Autonomia é fundamental chamar a atenção para este tipo de tradições populares que contribuíram para o moldar das características
especificas desta Região e do seu povo.
De entre os alimentos utilizados pelos mais pobres na luta pela sobrevivência referem.se alguns exemplos respeitantes à Madeira, destacando-se, a “farinha de raiz de feiteira” – analisada por João Adriano Ribeiro em artigo publicado no DN de 8/7/1992 – ou a “norça”, já focada no séc. XVI por Gaspar Frutuoso ou ainda o “perrigil” no Porto Santo.
“A importância das cíclicas e repetidas crises de fome desde o início do povoamento da Madeira foi exemplarmente estudada por Rui Nepomuceno no seu livro, As Crises de Subsistência na História da Madeira, e, portanto, a evocação das estratégias destinadas a combatê-las, constitui uma fundamental e imprescindível homenagem ao povo da Madeira e à sua capacidade para ultrapassar essas crises. Além disso, a nível da gastronomia, existe uma recente tendência para a utilização de produtos originais e dotados de características regionais, num aspecto que interessa especialmente aos restaurantes e demais agentes turísticos da Madeira”, refere-se.
Esta iniciativa na Galeria Anjos Teixeira será coordenada por João Lizardo, que convidará outros participantes para intervir neste encontro. João Lizardo, no exercício da sua actividade profissional de advogado contactou intensamente com as populações rurais da Ilha da Madeira no âmbito dos processos para a extinção da colonia, a que acresce o seu interesse e a autoria de publicações sobre temas históricos.
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