Passeio do Lido

O Passeio do Lido, também denominado de Promenade da Orla Marítima: Lido – Clube Naval, é um lugar de eleição da freguesia de São Martinho do concelho do Funchal. Desde 1999, madeirenses e forasteiros usufruem de um aprazível espaço público para caminhar ou passear. Numerosas pessoas passam por ali todos os dias, contemplando o mar e praticando salutar exercício físico.

Promenade da Orla Marítima: Lido – Clube Naval.

Este Passeio deveria ser a «menina dos olhos» do município funchalense, no que diz respeito à promoção do lazer, da prática regular de caminhadas para manutenção da saúde e da atracção turística. Contudo, apesar da localização privilegiada, dos bons ares e da bonita paisagem, nem sempre tem merecido a devida atenção. E, ultimamente, o descuido é notório.

Os jardins estão mal cuidados. Ervas daninhas e folhas secas abundam por ali. Faltam plantas floridas. A poda é pouco frequente e irregular. A remoção da folhagem seca acontece só de tempos a tempos. Alguns canteiros beneficiam somente de água quando chove, outros, devido a avarias do sistema de irrigação por aspersão ou outras anomalias, transformam-se, nalgumas partes, em ambiente ideal para plantas aquáticas e mosquitos.

Praia do Gorgulho.

A praia do Gorgulho, danificada pelos temporais, foi votada ao abandono. Apesar de estar interditada por razões de segurança, ainda é frequentada por alguns banhistas. Poderá a Câmara alegar falta de verbas para investir na reconstrução desta infraestrutura, mas as importâncias despendidas em publicidade inútil na imprensa e outros eventos festivos, por certo poderiam aqui ser aplicadas. Urge limpar a imagem de degradação do Gorgulho.

Nota positiva para o projeto de recuperação do antigo Cais do Carvão, embora devesse ali ser exibida informação sobre o mesmo. Um esquisso ou fotografia de um desenho ou maqueta seriam úteis. Quem, diariamente, observa o decurso da obra, interroga-se sobre o que ali nascerá.

Promenade à noite, defronte do Pestana Promenade (11-09-2018, 22:11).

Problema, para quem caminha neste Passeio à noite, é o estado da iluminação. Há 13 candeeiros apagados e um com luz intermitente. Faltavam, até à semana passada, dois candeeiros defronte do «Pestana Promenade» (alçado sul). Situação que durou longos meses, com a instalação eléctrica a descoberto. Foram já colocados, depois do nosso alerta no final de Agosto. Mas engana-se quem concluir que, com isso, este troço da «Promenade» ficou iluminado.

Os dois candeeiros, recém-montados, são inadequados para a iluminação de zonas pedonais. Destoam dos demais, com globos que permitem maior difusão da luz. Bem diferentes dos restantes daquela zona, apresentam focos direccionados para o muro ou o solo, presos, improvisadamente, com fios ou cabos eléctricos. Um ilumina os anúncios publicitários de uma loja que ali vende percursos turísticos na ilha, terrestres e marítimos. O outro é decorativo. Simplesmente não acende à noite. Talvez para não dar claridade para aqueles «quartinhos do fundo», do «Pestana Promenade», com balcão para o Passeio do Lido, onde, por vezes, também os hóspedes estendem toalhas de banho do dito hotel, numa inspiração ecológica ou do tipo bairro social.

Candeeiro recentemente colocado junto ao Pestana Promenade com foco de luz.

Não basta dizer que os dois candeeiros foram repostos. Quem, de direito, deve, à noite, passar por lá ou enviar um fiscal, para verificar se aquilo está bem. E não continuar naquela política de atirar areia para os olhos do cidadão interveniente e activo.

A falta de iluminação poderá pôr em risco a segurança dos que caminham ou passeiam naquela zona. Os assaltos aqui não constituem facto inédito.

Por vezes, encontramos turistas, sobretudo idosos, com as lanternas dos seus telemóveis ligadas, não vá uma irregularidade do piso provocar indesejada queda em tempo de férias. Mas sempre se mostram divertidos com aquela experiência na ilha, no Passeio mais belo desta cidade, que pela noite se cobre parcialmente de breu, episódio que, provavelmente, recordarão e contarão com escancarados sorrisos à família, amigos e conhecidos.

Pormenor do candeeiro recentemente colocado junto ao Pestana Promenade, mas que não funciona.

Outro obstáculo, em algumas partes do Passeio do Lido, é o alargamento das esplanadas, quando a clientela é grande. Há sempre lugar para mais mesas e cadeiras, atempadamente aprovisionadas e resguardadas num canto, mas sempre prontas para ampliar o negócio. E quem deseja passear ou fazer a sua habitual caminhada que mude de rumo, «porque ali é do restaurante», grita o assalariado a contento do patrão, mas não inocentemente, pois a sua lógica é a de mais mesas mais gorjetas.

Candeeiro do Passeio Público do Lido.

No Passeio do Lido, há também uma gataria, para gáudio de nacionais e estrangeiros, que, avaliando o grau civilizacional do ilhéu que ali abandonou os seus bichanos, deles se compadecem com mimos e comida. Já foram mais. Hoje, em todo o percurso, são talvez uns quinze. Mas sempre ajudam a afugentar os ratos. Pena é não terem o mesmo efeito sobre as baratas.

Contudo, pior que as pragas urbanas (ratazanas e baratas) são as pragas humanas. Refiro-me a uns vândalos (não germânicos) empenhados na destruição de papeleiras e outro mobiliário urbano, o que acarreta novas despesas. Faz falta o policiamento da zona.

Cadeiras e mesas disponíveis para alargar a área da esplanada.

Este Passeio, pelas suas características e potencialidades, deveria merecer da Frente MarFunchal, E. M., Câmara Municipal do Funchal e Junta de Freguesia de São Martinho atenções redobradas, para evitar a sua degradação, por falta de manutenção, zelo ou subserviência a interesses particulares.