As polémicas funestas do momento: Franco e Zeca Afonso

Opinião: Vai um assuada em Espanha por causa da eventual exumação do ditador Francisco Franco do Vale dos Caídos (arredores de Madrid).

Os franquistas dizem que “no vale não se toca”. As vítimas do franquismo aplaudem a medida que já foi aprovada no parlamento espanhol (198 votos a favor e 140 abstenções) e tem acolhimento por parte do actual governo do PSOE liderado por Pedro Sánchez.

O “Vale dos Caídos” é um memorial franquista erguido entre 1940 e 1958, primeiro em memória dos nacionalistas mortos na Guerra Civil Espanhola, de 1936-1939, mas onde também estão sepultados opositores ao “fascismo” franquista, para ali trasladados desde valas comuns em nome de uma suposta “reconciliação” nacional.

Ora, a polémica é esta: O ditador espanhol, apesar de não ser uma vítima da Guerra Civil, está sepultado no Vale juntamente com outros 33.872 combatentes nacionalistas da Guerra Civil e milhares de outros mortos da guerra civil, republicanos que lutaram contra os falangistas.

O memorial é visto de duas maneiras opostas: a) Como um monumento de exaltação do franquismo e ponto de encontro para os nostálgicos de Franco. b) Como uma afronta às vítimas do franquismo já que a sua construção foi quase toda feita através da exploração da mão de obra dos republicanos, a facção derrotada.

Mas o actual governo está disposto a avançar com a exumação nem que, para isso, tenha de alterar a chamada “lei da memória histórica”, contra os netos/familiares do ditador e vá arrepiando caminho no sentido de ilegalizar a Fundação Francisco Franco.

Também em Portugal, por causa de um homem da Liberdade e não de um ditador (vejam a ironia!) foi desenterrada uma polémica funesta. A Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) defende que Zeca Afonso merece honras de panteão nacional. A família do cantautor mostrou-se surpreendida com a proposta e rejeita-a.

O que penso sobre isto? Não foi Zeca Afonso que cantou “A morte saiu à rua num dia assim…Teu corpo pertence à terra que te abraçou…”?

Nem mais, lembra-te ó Homem que és pó… O que faz falta é cuidar dos vivos que as misérias humanas são muitas! Requiem!