O que são os Airbus NEO?


A TAP anunciou, mal se efetivou a privatização, a compra de Airbus A320NEO e A321NEO. Que significa NEO? Será novidade? É o acrónimo de New Engine Option, uma nova geração de motores para os aviões Airbus de médio curso. A maior parte das aeronaves da gama de médio curso da Airbus tem debaixo da asa o motor CFM International CFM56, produzido por um consórcio formado pela General Electric americana e a Safran francesa.

É o caso da frota da TAP Air Portugal. O mesmo motor também equipa todos os Boeing 737, desde a série -300 à -900, e também o quadrirreator Airbus A340. O muito mais evoluído CFM LEAP propulsiona os A319NEO, A320NEO e A321NEO e são o standard na nova geração Boeing 737MAX. Ao contrário da Boeing, a Airbus oferece duas motorizações diferentes para a família A320, opção do cliente.

A Pratt & Whitney voltou em força aos motores civis, com o PW1100 a ser o sucessor do IAE V2500 que a P&W produzia em equipa com a Rolls Royce, mas segundo um conceito tecnológico diferente. A Madeira teve a honra de receber a visita de um A321 com motores P&W, trazido pela própria Airbus para testes, tal como aconteceu com o primeiro A320-100 há 30 anos atrás. As vantagens dos NEO são sobretudo a redução de custos operacionais (menos 15% de consumo de combustível), maior alcance (1000 km), redução de ruído e de emissões.

O maior alcance propiciou o lançamento da versão Long Range do A321, que a TAP encomendou para fazer voos transatlânticos. Com uma aeronave mais leve, e que pode ser usada de maneira eficiente tanto no médio como no longo curso, tornará o hub de Lisboa mais competitivo, oferecendo maior número de frequências diárias para Nova Iorque. A primeira companhia a operar um A320NEO foi a Lufthansa, em 2016. A primeira companhia a trazer um A320NEO à Madeira foi a Easyjet a 18 de julho de 2017, seguida pela NOVAIR (A321) e a SAS.

Distinguir o A320NEO dos normais -200 (também apelidados de CEO – Current Engine Option) não é fácil para o olho não treinado. A fuselagem é praticamente idêntica. Notória é a diferença no tamanho dos motores CFM LEAP para os antigos CFM56. O diâmetro aumentou de 1,73m para 2,06m e contrasta significativamente quando ao lado dos tradicionais. Quem embarcar num A320NEO da TAP a pé na Madeira notará as pás do motor em forma de “catanas”, aparentemente torcidas.

Dado que a TAP sempre teve motores CFM56 na frota de médio curso, há outra maneira inequívoca de identificar o A320NEO. Ao tocar no chão no momento da aterragem os “thrust reversers” ativam-se automaticamente. Abrem-se umas comportas na lateral dos motores que deixam sair parte do ar de dentro do motor, para a frente e para os lados, ajudando o avião a travar.

No tradicional CFM56 são duas portinholas independentes em forma de pétala uma por cima da outra, que se abrem de cada lado do motor, e voltam a recolher logo que o avião sai da pista, de modo que são visíveis por pouco tempo. Quem estiver na varanda no aeroporto logo se apercebe que nos A320NEO o sinal visível do “reverse” é uma abertura continua de cima abaixo, posicionada a meio do motor, em vez das duas portinholas abertas.

Quem está do lado de fora a assistir à descolagem, recomendo que o faça na passadeira superior junto à saída da via rápida para o parque desportivo de Água de Pena. Facilmente concluirá que o som dos motores CFM LEAP é nitidamente mais baixo e menos agudo, soando como uma sirene ao acelerar.