Entrevista a Rui Barreto (parte 1): “Não existe qualquer liderança bicéfala”

Fotos Rui Marote.

Rui Barreto foi eleito no passado fim de semana o novo líder regional do CDS-PP. Em entrevista ao Funchal Notícias, Barreto nega que a solução estatutária de repartição do poder com José Manuel Rodrigues signifique uma liderança bicéfala.

FUNCHAL NOTÍCIAS: No congresso do passado fim-de-semana foi eleito por 86% dos votos e a sua moção “Esperança e Autonomia” foi sufragada por 95% dos congressitas. Não receia tanto unanimismo?

RUI BARRETO: O Congresso, para mim, é passado. Eu hoje sou o líder de todos os militantes do CDS, quer daqueles -uma esmagadora maioria – que me apoiaram, quer daqueles que tiveram dúvidas. Findo o processo eleitoral, todos os militantes do meu partido contam e eu conto com todos aqueles que quiserem participar na construção de uma verdadeira alternativa de governo ao PSD.

F.N.: A solução estatutário igualmente sufragada foi um presidente do partido, José Manuel Rodrigues, um presidente da comissão política, Rui Barreto. Com essa solução bicéfala acabaram-se as vice-presidências do partido. Será essa a melhor solução? Qual o papel da liderança nacional no “desenho” dessa solução?

R.B.: Não existe qualquer liderança bicéfala. A mim cabe-me dirigir os destinos do partido e prepara-lo para as eleições que se avizinham, assumindo também que serei candidato a presidente do Governo em 2019. O José Manuel Rodrigues desempenhará um papel importante, quer do ponto de vista institucional, quer na coordenação do conselho económico e social, que elaborará o programa de governo. Eu percebo que os nossos adversários possam querer passar essa mensagem, mas não é verdadeira e não é por repetir mil vezes uma mentira que ela passa a ser verdade. Nem o CDS, nem qualquer partido, pode desperdiçar os seus melhores quadros e o José Manuel Rodrigues é um dos nossos melhores quadros. Aproveitar aquilo que ele tem para dar é uma questão de inteligência.

F.N.: Juventude Popular, secretário-geral, concelhias. Qual o seu papel no CDS de Rui Barreto?

R.B.: Tenciono propor à JP a assinatura de um protocolo que clarifique a relação entre a estrutura jovem do CDS e o partido. Com regras financeiras claras, com benefícios mas atribuindo também responsabilidades. A JP é muito importante para o CDS na Madeira e não só para agitar bandeiras nas campanhas eleitorais. Aquilo que espero é uma colaboração efetiva da JP. Espero propostas e contributos para o partido. Espero mobilização, debate, garra, empenho, alegria. Estarei cá, com a Comissão Política Regional, para apoiar os jovens do meu partido.

Naquilo que respeita ao secretário-geral, quando escolhi o Teófilo Cunha para desempenhar o cargo fi-lo por muito boas razões. É reconhecida a sua capacidade de gestão e de trabalho, a forma transparente como gere a Câmara Municipal de Santana. Toda a gente lhe reconhece integridade a toda a prova. É isso que quero ver no CDS, ou seja, honestidade, integridade, transparência nas suas contas, capacidade de trabalho. O Teófilo Cunha é igualmente um político terra a terra, o que garantirá uma relação de proximidade com todos os militantes.

No que concerne às concelhias, eu não quero ser um presidente de gabinete. Quero estar no terreno, junto dos meus. Não vou fazer promessas, porque os presidentes das concelhias já me conhecem e por isso é que me apoiaram (nove, das dez concelhias eleitas). A única coisa que lhes direi, a todos, mesmo àquela concelhia que não me apoiou, é que podem contar comigo, bem como com a estrutura do partido, na execução das suas atividades. Quero uma ligação de proximidade, porque só sei fazer política de proximidade. Quero uma relação franca, porque serei sempre franco.

F.N.: O candidato a candidato à liderança, Rafael Sousa anunciou a impugnação e recurso ao Tribunal Constitucional. Teme o eventual procedimento de tal recurso?

R.B.: Eu não me pronunciei sobre a eventual candidatura do Rafael Sousa antes do Congresso, não o farei agora. Não comentei as decisões quer da COC quer do Conselho Nacional de Jurisdição, não o farei agora. Repito apenas aquilo que referi acima: terminado o congresso, serei o presidente de todos os militantes do CDS, e isso obviamente inclui o Rafael Sousa. A prova de que pretendo um partido unido, forte e combativo foi o facto de ter convidado o Américo Dias para um lugar de destaque na lista que apresentei para o Conselho Regional, e que foi eleita com mais de 80% dos votos dos congressistas, convite esse que foi aceite, algo que para mim representa um passo para a unidade. (…)