A Teologia com Poesia à maneira de Tolentino

Ilustração de JOSÉ ALVES.

O padre e poeta Tolentino Mendonça achou graça aos olhos do Sumo Pontífice, bastando para isso, grosso modo, um retiro em Roma para catequisar as altas esferas do Vaticano. Resulta, no rescaldo deste encontro, a distinção dada pelo Papa Francisco a Tolentino da “dignidade” de Arcebispo e ainda Arquivista e Bibliotecário da Santa Igreja Romana.

Ninguém deverá pasmar com tal promoção, bem pelo contrário, dados os créditos desta figura já singular na cultura portuguesa. Para além de respirar Deus na sua caminhada, uniu-se também à Poesia e, portanto, deste casamento só poderá resultar uma união abençoada para a vida eterna. Como falar de Deus sem Poesia? Ou falar de Poesia sem Deus? Só a questão mereceria novo retiro no Vaticano.

O Estepilha considera que até as Musas do Tejo rejubilam com a decisão papal, como diria o imortal Camões que, certamente, não teria pejo em consagrar na sua epopeia tamanho engenho e arte de Tolentino. Mas é caso para questionar: terá já sido distinguido, com a devida honra, na sua própria terra? Ou será que ninguém é profeta na sua terra? Mais um mote para novo retiro.