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«A União Europeia está empenhada em ajudar as vítimas de catástrofes naturais ou provocadas pelo homem em todo o mundo. Todos os anos, presta ajuda a mais de 120 milhões de pessoas. A UE e os países que a compõem são, em conjunto, o principal doador mundial de ajuda humanitária. A ajuda humanitária representa apenas 1% do orçamento total da UE, o que equivale a pouco mais de 2 euros por cada cidadão europeu».
In, Europa.EU, ‘Ajuda humanitária e Proteção Civil’.
80 metros de navio. 630 pessoas a bordo. 123 menores não acompanhados, entre eles, contam-se 11 bebés e sete grávidas. Estes são os números. Por detrás dos números estão seres humanos. Mulheres e crianças. O ‘Aquarius’ é o navio da organização não-governamental SOS Mediterranée que transporta estas pessoas. Todas elas viveram o drama de atravessar o Mediterrâneo, sem condições, em barcos improvisados, que chegam a ser um atentado à própria designação. São vidas interrompidas, outras que se interromperam. Em comum têm o local de origem: a Líbia.
Pergunto-me sempre se a designação de migrante teria outro ‘peso’ se se tratassem de pessoas com rostos familiares. Podia ser um filho meu. Os migrantes resgatados do Mediterrâneo, em diferentes operações, que viram recusado o seu desembarque e acolhimento, primeiro em Itália, e por Malta, depois, são também filhos de alguém. Tem um nome próprio. Sentem medo. E trazem consigo tudo o que lhes é possível transportar: esperança.
Senti orgulho em pertencer à Península Ibérica. De ver do lado de Espanha um sinal de grande humanismo, ao anunciar o acolhimento do navio em Valência. Com ele, chegam sonhos e histórias contadas sobre a velha Europa. A mesma que nos dias de hoje ainda representa a promessa de uma vida melhor. Numa equação simples. Com possibilidade de acesso à escola, aos cuidados de saúde, à habitação, ao mercado de trabalho. Uma porta de entrada para uma vida digna, sem mutilações e sem conflitos.
Enquanto se discutia a recusa da Itália em receber o ‘Aquarius’ e se perdia um tempo precioso em trocas vagas de acusações, entre os diferentes países europeus, ainda assistimos à reivindicação de Roma pela distribuição de imigrantes que chegam da África, bem como à revisão do Protocolo de Dublin. Dias de vidas humanas, trocadas por normas.
Na sequência do ‘Aquarius’, a Comissão Europeia propõe – no próximo orçamento plurianual de 2021 a 2027 -, um aumento das verbas destinadas a financiar as migrações: dos 13 milhões atuais para os 34 milhões e 900 mil euros. Estes sim, são números. São o reflexo de uma política séria e que impõe como extremamente necessária, de solidariedade social.
Este é o nosso tempo. Este é o nosso mundo. Estas são as nossas pessoas. Vamos colocar em prática o “Tratado de Lisboa”. Ele constitui a base jurídica da ajuda humanitária. Tem objetivos claros e, sem perder mais tempo, vamos ajudar as pessoas em dificuldade, independentemente da nacionalidade, religião, sexo ou origem étnica.
Este é a riqueza da nossa Europa. Multicultural e cada vez mais global.
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