Projecto “Dar a Ver” na Quinta das Cruzes e com programa extenso até Outubro

O Museu Quinta das Cruzes vai acolher, nos próximos dias 15 e 16 do corrente mês de Junho, a III edição do Projecto “Dar a Ver”, uma iniciativa que visa divulgação do património artístico regional e a promoção da sua integração, no panorama nacional e internacional.

O Governo Regional considera esta acção “uma aposta ganha”, precisamente “porque valoriza a oferta cultural e potencia o seu acesso junto de toda a população, tanto residente quanto visitante”, sublinha a secretária regional do Turismo e Cultura, Paula Cabaço.

Paralelamente aos trabalhos de investigação, classificação, conservação e restauro, “torna-se essencial que se invista, cada vez mais, na maior divulgação e conhecimento do vasto e diversificado património que constitui a nossa identidade cultural”. Este é um dos propósitos que se cumprem com a realização deste programa, materializado através da Direcção Regional da Cultura (Direcção de Serviços de Museus e Património Cultural), reforça.

Ao longo deste ano, serão convidados vários especialistas, locais e nacionais, que abordarão, de forma mais específica ou generalista, aspectos dessa imensa diversidade cultural conservada in situ, ou já transitada para os museus.

O essencial do programa será constituído por visitas guiadas e por conferências a realizar em vários locais.

A participação nestas actividades é gratuita, embora sujeita a uma inscrição prévia, através do endereço de correio electrónico daraver.drc@gmail.com, sendo que serão limitadas (cada uma) ao número de lugares sentados (65).

Nâ sexta-feira, dia 15, pelas 18 horas, realiza–se a conferência “Inscrições funerárias flamengas na ilha da Madeira: memória viva dos sepultados”, por Filipa Avellar.

Filipa Gomes do Avellar é especialista nas áreas de Epigrafia e Paleografia portuguesa. É licenciada em Ciências Históricas (1984) e Mestre em Paleografia e Diplomática (1996) pela Faculdade de Letras de Lisboa. Foi professora na Universidade Lusíada (1984 – 2004) onde lecionou as disciplinas de Epigrafia e Paleografia Portuguesa e História Medieval de Portugal, entre outras. Na Direção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) organizou e coordenou a área temática de Epigrafia Portuguesa, no Inventário do Património Arquitetónico (2001-2007).

É autora de vários artigos publicados na sua área de especialização e ainda membro da Sociedade Portuguesa de Estudos Medievais e sócia agregada do Instituto Português de Heráldica, refere um comunicado da SRTC.

Na presente comunicação, Filipa Avellar centrar-se-á no maior conjunto de inscrições funerárias provenientes da Flandres e que se encontram reunidas na Ilha da Madeira. Gravadas primorosamente em lâminas de metal ou em grandes lajes de pedra azul acinzentada as inscrições que compõem este espólio epigráfico, datado do séc. XVI, apresentam decoração e características únicas que as remetem para um mesmo centro produtor. Ao perpetuar no tempo a memória dos seus encomendadores estes exemplares testemunham ainda as relações comerciais entre Portugal e a Flandres tornando-se num património de valor incalculável que urge dar a conhecer e preservar.

Já a programação para sábado, dia 16 de Junho contempla, pelas 11.00 horas, uma conferência intitulada “Iconografia Cristã no Oriente”, por Manuel Pires de Lima Castilho.

Manuel Castilho é licenciado em Direito pela Universidade Clássica de Lisboa (1969) e em Arquitectura pela Architectural Association School, em Londres (1975). Pós-graduou-se em Arte Oriental, pelo British Musuem/Royal Holloway College (2002), e é desde 1976 antiquário em Londres e Lisboa.

“Nesta conferência, mostrar-nos-á como estamos perante um enorme e multifacetado corpo de obras de arte produzidas em África e no Oriente. Algumas foram criadas para servir as necessidades do culto nas terras recém missionadas, outras foram produzidas para exportação tirando vantagem de materiais raros e apreciados na Europa, como a seda, o marfim, a porcelana e a laca. Neste processo de miscenização e encontro de culturas surgem obras sincréticas, com um sabor exótico, por vezes divergentes dos cânones institucionalizados pela Igreja de Roma. Os artistas locais haviam sido criados em culturas por vezes milenares e trouxeram às suas obras, por vezes sem se aperceberem, os seus maneirismos e visão do mundo”, refere nota de imprensa.

Entre as próximas acções, conta-se uma conferência sobre o projecto Az Infinitum, em azulejo, por Rosário Salema, no Museu Quinta das Cruzes, às 11 horas de 29 de Junho: uma palestra de Luísa Penalva sobre ourivesaria portuguesa, no mesmo local, mas a 22 de Setembro, pelas 11 horas;: uma alocução subordinada à temática dos museus e da educação, por Ana Duarte, a 28 de Setembro às 18 horas, na Casa-Museu Frederico de Freitas; e ainda uma conferência no dia seguinte, pelas 11 horas, sobre a pintura flamenga em Portugal, por Fernando António Baptista Pereira, no mesmo local.

Já a 19 de Outubro, pelas 19 horas, será a vez de Luíza Soares de Oliveira falar, no Mudas – Museu de Arte Contemporânea, na Calheta, sobre o Panorama da Arte Portuguesa no século XXI.

No dia seguinte, pelas 15 horas, Raquel Henriques da Silva aborda o tema “Arte em Portugal no século XIX”, no Museu Quinta das Cruzes.