A nossa primeira casa. As mães!

Choramos ao nascer, sem compreender o mundo em que entramos, morremos em silêncio, sem entender o mundo do qual saímos. A brevidade da vida é espantosa e os fenómenos que a envolvem são admiráveis. No entanto, poucas pessoas prestam atenção ao curto parêntesis do tempo em que vivemos.

As crianças sabem quando o adulto está emocionalmente presente e quando está apenas ali, fisicamente, logo as crianças também sabem distinguir uma comunicação de controlo de uma comunicação de cuidado. Sabem quando um limite é de protecção e quando é de abandono. E no parêntesis do tempo, os privilegiados que viveram uma infância “sem ninguém ver” porque não havia telemóveis, stories, likes… ainda assim conseguem ter memórias não porque foram filmadas mas porque foram vividas. Às vezes, em vez de provar aos outros que estivemos lá, deixamos de estar e as crianças não precisam de um telemóvel apontado para que os outros as vejam através de um ecrã, necessitam de olhos que as vejam de verdade.

Uma comunicação holística implica cuidar da linguagem das crianças e começa em cuidar dos adultos que as acompanham. Uma linguagem que se quer humana, precisa primeiro de ser habitável para quem a expressa, compreende e fala. E é na nossa forma de estar, na pragmática utilizada e no olhar que vê o que ninguém repara que cuida de quem cuida. As mães !

Talvez esteja na hora de olharmos diariamente mais para quem segura o essencial, para quem transforma o cansaço em presença e as rotinas em afeto e cuidar das mães que cuidam diariamente. As mães fortes também precisam de carinho e cuidado. A valorização das mães e a consciência que sem elas e sem os seus corações nenhuma criança se sustenta e possivelmente será um adulto náufrago.

A maternidade é o maior desafio e talvez o mais difícil mas ao mesmo tempo o melhor do mundo. Uma mãe não precisa de ser perfeita. Entre acertar e errar, o mais importante é nunca deixar de estar e ter a coragem para fazer diferente.

Não acompanho só mini-pacientes que têm alterações na fala ou perturbações na linguagem, acompanho mães diariamente até porque acompanham os filhos nas minhas consultas e algumas acreditavam que serem fortes era aguentar tudo, ser a que resolve, a que sustenta, a que decide, a que não pode falhar. Algumas mães, na verdade, passam a ser o pilar da família, do trabalho, da vida de todos e durante muito tempo acreditam que isso é poder. Por trás da mãe que aguenta tudo existe uma menina que também precisa de colo. Eu diariamente observo mães extraordinárias, mulheres que inspiram, que lideram, que sustentam famílias inteiras. E muitas carregam um silêncio pesado… o silêncio de quem raramente aprendeu a pedir. Porque algumas mulheres/mães foram ensinadas que amor é servir… e não merecer.

Numa comunicação que se quer plena e humanizada, através de uma linguagem verdadeiramente universal, mães com maturidade permitem-se receber carinho, ajuda, cuidado e descanso. As mães fortes não são as que fazem tudo sozinhas são as que sabem quando parar e de forma inegociável entendem que não precisam provar o seu valor através do sofrimento.

As tristezas da vida de uma mãe ensinam, mas é a luz dos seus filhos, o caminho sempre de volta. Porque a vida não é feita de grandes alegrias constantes é feita de pequenas coragens diárias e o simples gesto das mães continuarem já é uma vitória.

A verdadeira vitória das mães não está na velocidade das conquistas está na presença da vida dos seus filhos e sobretudo de não abandonarem quem são só para caber na pressa e no perfil da sociedade atual.

Para todas as mães que acompanhei, para as que acompanho e para a minha mãe, hoje e sempre a vossa e nossa palavra – MÃE – é muito para lá da semântica e quando se nasce e a palavra passa a existir, raramente, se percebe o valor até à sua perda total.

Mãe é a forma mais inteira de um furacão de amor.

Drª. Luísa Maria
Terapeuta da Fala
Especialista em Miofuncional Orofacial

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