Escritor António Mota otimista: O digital não é uma ameaça aos livros

(Foto DR)

As novas ferramentas digitais não são ameaça ao futuro dos livros. A opinião é do escritor António Mota, uma referência da literatura infantojuvenil portuguesa, que recentemente esteve em várias escolas da Madeira.

No final de uma das visitas, onde conversou com os mais novos sobre o seu percurso de vida e profissional, o escritor deixou palavras de esperança sobre a presença dos livros junto das gerações mais jovens. “O livro é como uma segunda pele, algo que as pessoas sentem como fazendo parte da sua essência. Por isso, não acredito que vão desaparecer”, assegurou o autor de “Pedro Alecrim” e “Os heróis do 6º F”, no final do encontro na Escola Básica dos 2º e 3º Ciclos dos Louros.

Destacando o contributo social da literatura em momentos de crise, como os que se viveram recentemente em Portugal, António Mota alega que a crescente popularidade dos equipamentos digitais e das redes sociais poderá antes ser uma mais-valia na promoção da leitura. Isto se a literatura continuar a prender os leitores, sobretudo pelo coração. “Penso que o segredo está em saber aproveitar as novas oportunidades. Não me preocupo muito com o futuro, nessa matéria. Se as minhas histórias conseguirem despertar emoções, fico feliz”, sintetiza. 

Durante quatro dias, o escritor visitou 14 escolas de 1º, 2º e 3º ciclos da Região, numa iniciativa patrocinada pelo grupo Leya, tendo a oportunidade de contar na primeira pessoa alguns episódios marcantes da sua infância, enquanto menino pobre que, à falta de dinheiro, ganhou sonhos e histórias. Oriundo de uma aldeia do norte do país, de um tempo sem luz elétrica, António Mota contou como cedo se fez leitor assíduo da biblioteca itinerante da Gulbenkian, aguardando com entusiasmo a passagem da carrinha por um lugar “onde se aprendia a esconder as tristezas nos buracos feitos na terra”.

Foram estas e muitas outras histórias, como a do “bombo deficiente” oferecido pelo pai que mesmo sem posses lhe oferecera um tambor estragado resgatado do lixo, que levam António Mota aos 60 anos de idade a partilhar o segredo. “É preciso ser uma voz diferente”.

Diversas vezes questionado sobre o seu processo de escrita, aproveitou o contacto com os alunos para deixar algumas dicas. “Tento ser sempre verdadeiro, a olhar para o essencial”.

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Em 2019 completará 40 anos de livros, uma carreira que despontou ainda nos seus vinte e poucos anos com a publicação de “A aldeia das flores”. Hoje, são mais de 90 as obras publicadas, algumas integradas no Plano Nacional de Leitura. Em junho, um novo título estará nas estantes, com apresentação pública em França.