Jogador brasileiro do Portosantense Futebol SAD em desespero, sem contrato, sem dinheiro há sete meses, sem luz no quarto

Davi Alves
Davi Alves quer receber “o que prometeram” e diz ter sete meses de ordenados em atraso.

Davi Alves, brasileiro, 24 anos de idade, jogador do Portosantense Futebol SAD , um central que fez uns seis jogos pela equipa que milita na Divisão de Honra Regional e que terminou o campeonato em terceiro lugar. Chegou em setembro, impelido pelo sonho de tantos outros atletas brasileiros, jogar na Europa, fazer carreira, ganhar dinheiro.

O sonho estava lá, a equipa da ilha dourada parecia ser o “el dorado” de entrada no tal Continente/Paraíso, o Europeu, acreditou nas pessoas, nem precisou de assinar contrato, convenceu-se, sem pestanejar, que ele ia chegar mais cedo ou mais tarde, diziam-lhe quase todos os dias. Nunca chegou, até que se passaram sete meses sem receber, agora cortaram a luz da sede do clube e quando chegou ao hotel para comer, também este estava cortado. Continuam a dizer, como faz questão de reforçar, que o dinheiro há-de chegar “quando o Governo pagar”.

Não quer prejudicar os outros

O desespero acompanha-o, agora, todos os segundos. Há outros casos, mas não se pronuncia sobre isso, fala de si, não quer prejudicar outros, o clube está “em situação difícil” e os compromissos, mesmo os assinados, são difíceis de assumir, dizem. Os não assinados, muito mais. A SAD já manifestou ao jogador a dispensa dos seus serviços, para que possa procurar trabalho, mas Davi Alves quer receber o que foi acordado, 570 euros por mês. A época acabou, mas não o “pesadelo”.

Davi Alves Portosantense
Davi Alves fez seis jogos pelo Portosantense Futebol SAD, na Divisão de Honra.

Quando ouviu falar do clube do Porto Santo, através de Paulo Andrade Faria, o homem de contacto, o homem que tem a gestão da SAD, disse logo que sim. Afirma ter sido frontal “ com toda a gente”, estava lesionado num joelho e isso impediu-o de dar, logo, o contributo à equipa. “O mister Cláudio Dias, na altura o treinador, disse que não havia problema, que era preciso resolver a lesão e depois jogava”. E assim foi, pôs-se bom e fez uns seis jogos enquanto começava a ver o tempo passar sem que o contrato prometido, de três anos, fosse assinado.

O plano era mandar-me embora sem pagar”

E de repente passaram-se os três meses do visto de turista, sem contrato de trabalho nada feito para ir além disso. Pagou uma multa de 80 euros e pediu novo prazo, que termina agora, a 31 de maio. Uma forma de, entretanto, resolver o assunto. Quer trabalhar e continuar em Portugal. “O plano deles era mandar-me embora sem pagar”.

Davi Alves diz que sempre ficou à espera que assinassem o contrato que estava acordado, até 2020, mas “nunca aconteceu, todos os outros assinaram menos eu”. Afirma nunca ter recebido um cêntimo do que estava combinado, “dizem-me que estão à espera que o Governo liberte a verba de apoio ao clube”. Vive na sede, mas diz que “já tentaram que eu saísse dali por duas vezes”. Existem alguns jogadores que estão a ficar na sede, “agora estamos sem luz e em condições precárias em termos de higiene”. Comer, é no Vila Baleira, vai de bicicleta “porque até o transporte foi cortado, o clube não pagou a carrinha”. Mas, agora, também a alimentação foi cortada. Está sem dinheiro, não dá nem para ficar nem para ir, uma espécie de “entre a espada e a parede”.

O jovem jogador não responsabiliza o Portosantense enquanto instituição, coloca o clube acima de tudo, diz que “algumas pessoas que ali estão é que não cumpriram comigo”. O seu contacto continua a ser Paulo Faria de Andrade. O outro dirigente, André Encarnação, abandonou o clube, “era uma pessoa correta”, diz Davi Alves.