Vice da CMF diz que o Governo Regional “engoliu a seco slogans de fábulas de inimigos externos” com os 17 milhões que recebeu da República

Miguel Gouveia 23-11
Miguel Gouveia: “O Governo Regional varre convenientemente, para debaixo do tapete de Lisboa, a responsabilidade por todos os seus insucessos, nomeadamente aqueles cujas promessas eleitorais carecem de financiamento”.

O vice presidente de Paulo Cafôfo na Câmara do Funchal, trouxe a público, através da sua página da rede social facebook, os 17 milhões que a República transferiu para a Madeira resultante dos lucros dos Jogos da Santa Casa, uma decisão que, segundo Miguel Glouveia, faz o Governo Regional “engolir a seco slogans de fábulas de inimigos externos”.

Diz o vereador da coligação que gere os destinos da autarquia que o aproximar das eleições regionais de 2019 fez despoletar aquilo que considera como “um desenterrar do ‘machado de guerra’ com a República, conhecido como o “contencioso da autonomia”. Miguel Gouveia afirma que “o Governo Regional varre convenientemente, para debaixo do tapete de Lisboa, a responsabilidade por todos os seus insucessos, nomeadamente aqueles cujas promessas eleitorais carecem de financiamento que sabiam (ou talvez não, o que tornaria a situação ainda mais grave) que a região não dispunha”.

O vice da CMF diz ter ficado surpreendido com declarações de Pedro Calado à RTP, onde o vice presidente do Executivo Regional afirmou que “Lisboa” aprovou [1] uma transferência de 17 milhões de euros para a Madeira por via dos lucros dos Jogos da Santa Casa, corrigindo uma distorção na Lei das Finanças Regionais que persistia desde 2010″.
Miguel Gouveia comenta: “Em abono da verdade, os 17 milhões de euros “frescos” que vão entrar no orçamento da RAM de 2018, deveriam contribuir para um assomo de seriedade do executivo regional, engolindo a seco slogans ultrapassados de fábulas de inimigos externos a amedrontar a sociedade madeirense em torno da manutenção de um poder partidário evanescente”.
Refere ainda que “sendo este um tema com 8 anos, que foi resolvido apenas agora pelo governo de António Costa, é caso para perguntar quem é que andou a ser “comandado por Lisboa” para não reivindicar estas verbas entre 21 de Junho de 2011 e 26 de Novembro de 2015, durante os governos de Pedro Passos Coelho?”