Veja as imagens da destruição causada pelo temporal na costa sul da Madeira

Ponta do Sol: ontem o mar ainda arremetia com força.

Fotos: Rui Marote

O repórter do Funchal Notícias percorreu ontem várias localidades da orla costeira sul da Madeira, captando imagens impressionantes dos estragos causados pelo recente temporal que assolou a Região. Algo de que, periodicamente, os madeirenses se esquecem, na altura estival, é que no Inverno o mar é que comanda. Mas este não deixa dúvidas sobre a sua superioridade sobre os comuns mortais e, lá de tempos a tempos, invade a orla costeira, ou antes, reclama aquilo que, em certo sentido, é seu por direito. E lá se vão as infraestruturas construídas à beira-mar, quer tenham custado centenas, milhares ou milhões de euros.

A somar à ondulação impressionante que arremeteu contra a costa, recorde-se os valores impressionantes de pluviosidade que se abateram sobre o arquipélago, e que, particularmente nas zonas altas, duplicaram os índices considerados “muito grave”. A verdade é que, possivelmente, estivemos a poucos pontos de uma possível catástrofe. A situação meteorológica anunciava-se já há vários dias, apontando os indicadores para uma tempestade que se dirigia para a Madeira, já tendo causado danos assinaláveis nas ilhas Canárias.

Zona dos balneários da praia da Ponta do Sol
O lixo arrastado pelo temporal

O Funchal Notícias foi o primeiro órgão de comunicação social regional a adiantar aquilo que já era do conhecimento de muitos, principalmente pessoas ligadas à náutica de recreio e outras actividades do tipo, que está habituada a acompanhar a meteorologia. Confirmámos junto do geógrafo e ecologista Raimundo Quintal a iminência de uma tempestade atingir a Madeira com níveis de pluviosidade verdadeiramente preocupantes.

Paul do Mar: a fúria do mar, ainda no dia de ontem

Ouvimos o meteorologista Vítor Prior, director do Observatório Meteorológico do Funchal, a respeito; este confirmou-nos a tempestade que vinha a caminho, mas considerou que os índices de pluviosidade não se aproximariam dos do 20 de Fevereiro de 2010. Alertámos, de qualquer modo, atempadamente. Mesmo assim, por o termos feito, e de forma factual, numa notícia, ainda houve quem, nos comentários das redes sociais, nos considerasse alarmistas. Assim fomos vendo a situação pouco a pouco evoluir para os avisos laranja e, finalmente, para o aviso vermelho.

Paul do Mar, acesso ao cais
Marina do Lugar de Baixo… palavras para quê?

Entretanto, pelo menos uma pessoa morreu em consequência do temporal, um cidadão estrangeiro que se aventurou mais perto do mar do que devia. Segundo nos chegou ao conhecimento, haverá uma outra vítima no Porto Moniz, um homem que terá sido arrastado pelo vento forte e que caiu, sofrendo um traumatismo na cabeça que lhe provocou a morte.

Restaurante no Garajau

As chuvas inundaram as ruas, as águas correram pelas ribeiras e as vagas arremeteram contra a costa. Registou-se toda a sorte de pequenas ocorrências, felizmente sem gravidade de maior. Mas pedras – e bem grandes – caíram, árvores foram arrancadas, pedras cobriram as praias e espatifaram estruturas e negócios situados à beira-mar. As imagens não mentem. Mesmo assim, seria melhor deixar sem aviso uma situação potencialmente perigosa, até à última hora, quando a mesma já se adivinhava a dias de distância temporal? Contactada a edilidade funchalense, a mesma respondeu-nos que, porque não tinha qualquer alerta da Protecção Civil, não tinha preparado qualquer plano de contingência para começar de imediato a proceder com especial cuidado, por exemplo, à limpeza das adufas e dos sistemas de escoamento de águas da cidade.

Madalena do Mar: uma canoa arremessada contra a porta de casa
Praia da Calheta

Porto da Calheta

De qualquer modo, congratulamo-nos por constatar que tudo não passou de uma mera tempestade, sem consequências de maior para além de alguns danos materiais e de apenas uma vida perdida, ao que tudo indica, por imprudência desnecessária. Mas questionamo-nos o que será preciso para se levarem a sério alguns simples avisos, sem que de imediato nos rotulem de “alarmistas”.

A força do vento

O grau de destruição patente em localidades como a Calheta, onde a própria muralha do cais ficou destruída; a zona da Marina do Lugar de Baixo, onde as vagas embateram sem dó nem piedade contra aquela milionária e condenada estrutura; a Ponta do Sol, onde, e mau grado a protecção muralhada cuja construção contribuiu para estragar significativamente o aspecto de uma das mais bonitas praias da Madeira, as pedras do calhau foram projectadas terra adentro –  e restaurante adentro – torna claro que este temporal, apesar de tudo, não foi uma brincadeira. Podia ter sido pior.

As chuvas que se prolongaram poderiam ter saturado os solos e contribuído para fazer transbordar das ribeiras em alguns pontos, se certos deslizamentos de terras em zonas críticas tivessem acontecido. Há razões para se avisar os cidadãos mais cedo e de forma ponderada, sem intento de causar pânico. Se as pessoas e as autoridades forem avisadas mais cedo, podem reagir de forma mais atempada e cuidadosa. Os nossos vizinhos das Canárias não brincam com estas coisas e não têm tantos pruridos em declarar alerta máximo.

 

Campo de jogos da praia da Ponta do Sol
Bananeiras destruídas pelo vento
A destruição nas construções na orla marítima