Miguel de Sousa espera que eleição parlamentar na República não seja a primeira armadilha de Rui Rio ao PSD-Madeira

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Miguel de Sousa: “Pela primeira vez, que eu me lembre, a escolha do deputado pela Madeira para integrar a direção do grupo parlamentar foi feita na lógica das eleições internas nacionais ( Rui Rio versus Santana Lopes ) em vez da predominância da ordem partidária regional”.

Miguel de Sousa deixou há pouco, na sua página da rede social Facebook, algumas observações relacionadas com a eleição, esta quinta-feira, da direção do grupo parlamentar do PSD na Assembleia da República, que deu a Fernando Negrão apenas 39% dos votos, numa clara divisão da bancada social democrata que, de algum modo, contraria a união defendida pelo novo líder Rui Rio, não obstante estarmos perante deputados escolhidos na era Passos Coelho, muitos deles sem se reverem em Rio. Negrão obteve 35 votos sim, registando-se 32 brancos e 21 nulos. Há pelo menos 16 anos que não havia um resultado tão mau.

Mas o que motiva mesmo a abordagem de Miguel de Sousa é aquilo que transparece relativamente ao papel secundário do PSD-Madeira, que sempre teve poder de decisão na escolha do representante da direção do grupo parlamentar, mas desta vez não aconteceu. Diz Miguel Sousa, um histórico social democrata madeirense e vice da Assembleia Regional, que acontece pela primeira vez. Refere-se, naturalmente, à escolha de Rubina Berardo para ocupar um lugar de vice do grupo parlamentar, uma deputada apoiante de Rui Rio, que é assim opção direta deixando para trás Sara Madruga, cabeça de lista e membro da Comissão Política Regional do partido, logo com outro peso do ponto de vista da estrutura regional.

Miguel Sousa diz que “a eleição para a liderança do grupo parlamentar do PSD na Assembleia da República levanta uma questão partidária regional que não devo escamotear. Pela primeira vez, que eu me lembre, a escolha do deputado pela Madeira para integrar a direção do grupo parlamentar foi feita na lógica das eleições internas nacionais ( Rui Rio versus Santana Lopes ) em vez da predominância da ordem partidária regional. Ou seja, havendo uma deputada cabeça de lista social democrata que é simultaneamente membro da Comissão Política Regional do PSD-M, foi esta preterida por uma colega que se perfilou por Rui Rio. Pessoalmente é-me igual a escolha, mas no plano político autonómico já não me é indiferente por significar que não coube à direção política regional do PSD-M a indicação. Ao contrário do sempre acontecido”.

O social democrata deica claro que “a lista de deputados do PSD-M candidata à Assembleia da República tem de ter uma lógica e coerência, que deve ser respeitado também pelos próprios. As lutas pela liderança do PSD nacional não podem ser interferência na estrutura partidária regional. Nem veículo para isso”.

E termina com um alerta: “Esperemos que não seja a primeira armadilha da nova liderança sobre a estrutura autonómica regional”.