Antiga “lancha da droga” passa a ser navio da Marinha que, entre outras missões, combaterá o tráfico de estupefacientes nas nossas águas

*Com Rui Marote

A Marinha aumentou hoje ao seu efectivo a nova unidade “UAM Madeira” (as iniciais querem dizer Unidade Auxiliar da Marinha). O facto trouxe ao Funchal altas patentes militares, além do secretário de Estado da Defesa, Marcos Perestrello. Este novo navio, que passará agora a estar ao serviço da Polícia Marítima, tem a curiosa particularidade de em tempos ter estado ao serviço de actividades menos lícitas.

Na realidade, e conforme o Funchal Notícias oportunamente deu conta, trata-se da famigerada “lancha da droga”, que foi apreendida no âmbito de uma actividade de combate ao narcotráfico e que ficou na marina da Calheta durante longo tempo. Acabou por ser entregue ao Estado e agora, alvo de modificações tecnológicas de monta, entra ao serviço da fiscalização da Zona Marítima da Madeira e das embarcações que nela circulam, após um longo período de inactividade no porto que já referimos.

O representante da República, no decorrer da cerimónia que decorreu na Praça do Povo, voltou a sublinhar, como já o tem feito outras vezes, que as Forças Armadas tiveram e têm um papel essencial na consolidação e manutenção da soberania portuguesa. Por outro lado, assumiu que a condição insular por vezes faz incorrer no risco de desinteresse, por parte das instâncias nacionais, nas necessidades regionais; mas, considerou Ireneu Barreto, nisso as Forças Armadas têm sido excepção, pela forma como a hierarquia, nos três ramos das mesmas, “vem dedicando a esta região autónoma uma particular atenção”.

Tem-no feito não só no cumprimento das suas missões habituais, mas também no auxílio às populações civis, em ajudas de emergência necessárias face a catástrofes relativamente recentes. Sobre a Marinha, sublinhou a sua missão de patrulhamento da nossa Zona Económica Exclusiva, na busca e salvamento e no apoio às reservas naturais das Desertas e das Selvagens, onde tem também apostado na manutenção da soberania, com a colocação ali, em permanência, de elementos da Polícia Marítima.

Ireneu Barreto sublinhou, por outro lado, que as Selvagens constituem hoje “o ecossistema mais intacto do Atlântico”, e fez voto de que estas ilhas, cuja importância geoestratégica também deixou implícita, ainda durante o seu mandato, venham a ser reconhecidas como património mundial natural, pela UNESCO, tal como a floresta laurissilva.

Por seu turno, o vice-almirante Sousa Pereira,  director-geral da Autoridade Marítima e da Polícia Marítima, frisou a capacidade desta lancha rápida, que pode atingir velocidades da ordem dos 40 nós, e a sua grande autonomia, o que quer dizer que se pode deslocar com grande rapidez para fiscalizar praticamente qualquer zona do arquipélago. Já o secretário de Estado preferiu colocar a ênfase na importância do papel da Marinha e, por consequência, desta nova embarcação na fiscalização das pescas, da restante actividade marítima e no eventual socorro, combatendo eventuais e suspeitas actividades ilícitas, nomeadamente no tráfico de estupefacientes.

A nova unidade marítima ficará sob o comando do tenente Américo Mendes.

Na ocasião, entre outras individualidades civis e militares, esteve também presente o almirante Silva Ribeiro, que Chefe do Estado-Maior da Armada e de Autoridade Marítima Nacional, e apontado como o futuro Chefe de Estado Maior General das Forças Armadas, notícia que o FN noticiou em primeira mão ao nível do país.