O esplendor do mundo, segundo Gonçalo Cadilhe

 

“Amigo, não entres sem imaginação”

(inscrição no Museu Arqueológico de Mérida, citada pelo autor)

Nunca gostei de livros de viagens. Não é, no entanto, um paradoxo referir que gosto de me ter habituado a viajar com os livros de Gonçalo Cadilhe. Os seus, não são “livros de viagens”, são tesouros de viagens. A verdade é que, à excepção de alguns, poucos, lugares para onde nos conduz, muitos são os que apenas a sua incontida e (acredito que corajosa) militância na aventura permite ter realizado os percursos.

Entre registos fotográficos do próprio, surgem textos que nos interpelam ao mistério da viagem, às luzes, às sombras e aos cheiros dos lugares.

Cadilhe sempre se expôs nos seus registos, sempre nos deu o privilégio de fazer-nos acreditar que é um amigo de toda a vida em quem podemos confiar o suficiente para nos contar as suas estórias. Neste livro, o registo subjectivo é assumido de forma atrevida e denunciada. Os 99 destinos escolhidos como, segundo o seu autor, os mais marcantes, fazem-nos dar a volta ao mundo, qual canto da terra que nos inebria e seduz.  Arranjou-os em seis capítulos num quadro que visa organizar, de algum modo, a sua selecção.

São inúmeras as referências históricas, a par das notas que bordam as suas memórias, os seus registos mais pessoais mas, felizmente para nós, transmissíveis.

Será um livro/tesouro de viagens que nos cativa por ser inusitado, no formato e na letra, uma benévola aura de poesia que o perpassa e que deixa no leitor aquele travo a desejo de viajar, sem parar, conhecer e evadir-se de contextos e realidades que, de uma ou outra maneira, nos oprimem.

Este livro é uma ode à liberdade de amar os povos e os espaços, de conviver com eles sem os possuir, mas sabendo que nos pertencerão para sempre.

Não me apetece referir qualquer lugar, em particular. Sublinho a expressão poética da solidão, dos lugares vazios, das ruínas. Gonçalo Cadilhe refere que Oaxaca, no México, foi a primeira cidade que amou. Apetece-me, isso sim, escrever que o mundo, na sua imensa diversidade se apaixonou de tal forma por este viajante, que se deixou conquistar, de forma avassaladora e radical.

A ler, num qualquer lugar de (des)conforto, perto de si.

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Book trailer

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Entrevista do autor à RTP

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