39 novos elementos da Cruz Vermelha Portuguesa afirmaram hoje o seu compromisso; jovens falam da experiência ao FN

 

Fotos: Rui Marote e Luís Rocha

A Praça do Mar animou-se esta manhã com a presença de dezenas de voluntários da Cruz Vermelha Portuguesa, entre 32 socorristas e 7 enfermeiros, rapazes e raparigas que se entregaram a esta instituição prestigiada que há mais de um século e meio auxilia milhares de pessoas pelo mundo inteiro. No caso da Madeira, foi, pois, um total de trinta e nove novos elementos, para além dos seus colegas mais velhos, que encheu hoje aquele espaço público no cumprimento da cerimónia de Compromisso de Fidelidade, no qual juraram dar o seu melhor para ajudar o seu semelhante. Presentes estiveram várias entidades ligadas, de um modo ou de outro, às actividades de protecção civil na Região.

Em discurso proferido na ocasião, o tenente-coronel Rui Nunes, presidente da delegação da Madeira da Cruz Vermelha Portuguesa, salientou o significado deste compromisso e realçou que hoje em dia e internacionalmente, a actividade da instituição “está muito centrada no apoio àqueles que fogem da guerra em busca de um lugar onde possam viver em paz e com alguma perspectiva de futuro”, referindo-se obviamente aos refugiados dos conflitos bélicos no Médio Oriente, principalmente na Síria.

Os refugiados, sensibilizou, “enfrentam perigos de ordem diversa que lhes têm causado inúmeras vítimas, especialmente crianças indefesas”.

Rui Nunes referiu que numa época em que a sociedade enfrenta dificuldades de toda a ordem, começando pela falta de emprego e pelas crescentes dificuldades em aceder aos cuidados de saúde e aos apoios de carácter social, o trabalho voluntário tem uma importância acrescida, com a particularidade de tornar necessária uma adaptação às novas realidades e dificuldades.

“Aos novos voluntários, quero recordar que na Cruz Vermelha, não há missões de primeira ou de segunda. Em cada missão, exige-se ao voluntário que ponha em prática todos os seus conhecimentos, em benefício da missão de que foi incumbido, tendo sempre como farol os princípios fundamentais da Cruz Vermelha, do respeito pela dignidade da pessoa humana. A sua tarefa implica deveres acrescidos e uma maior responsabilização na concretização dos objectivos que, em conjunto com as suas famílias, traçaram para as suas vidas”, declarou. “O facto de serem voluntários, não poderá nem deverá ser pretexto para serem menos produtivos no seu trabalho ou em termos escolares, ou para descurarem as suas responsabilidades familiares (…)”, salientou, mostrando-se certo da “entrega à causa” daqueles que “em boa hora decidiram abraçar”.

Fabrício Canha fez parte do grupo de instrução dos novos voluntários, e integra a Cruz Vermelha há vários anos. Ao FN, disse que o que o motivou a ingressar na CVP, foi, antes de mais, “o espírito de camaradagem” e a sedução de um universo desconhecido: “descobrir como é estar dentro de uma ambulância e fazer parte dos momentos maus dos outros, para os tornar um bocadinho melhores”. Sobre os novos elementos, disse-se satisfeito com os resultados alcançados: “Se chegarem a este momento, foi sem dúvida produtivo”.

Já Mariana Bela é mesmo um dos novos elementos, daqueles que substituiu hoje o boné de recruta pela boina, conquistada após a formação. O Funchal Notícias falou com ela e perguntou a esta jovem o que a motivou. A resposta é rápida e descontraída: “Primeiro, foi o desejo de ajudar. E depois, como estou na Universidade na área da Saúde, também é uma boa maneira de começar a ter mais contacto com a população, que ainda não temos no curso”. Mariana Bela, que está a tirar Medicina, realça o modo como esta experiência abre outras perspectivas e rasga horizontes, no sentido de começar a perceber que tipo de cuidados é que a população necessita, quais são os problemas que mais a afligem…

Mariana Bela: jovem estudante de Medicina, encara este voluntariado como uma experiência importante de contacto com a população.

“Estamos a tratar de pessoas. O pré-hospitalar prepara muito isso. Vemos muito as condições em que as pessoas vivem, vamos buscá-las a casa, vemos o que sofrem… dá bastante para ter a noção não só do sofrimento que o doente passa naquele momento, mas das circunstâncias que estão por detrás disso”, diz.

Entre os aspectos que observou, cita o problema da muita população idosa necessitada de cuidados. “Vamos buscar muitos idosos, principalmente com problemas respiratórios… mas também é bom ver sempre que os idosos estão sempre rodeados da família, quando nos chamam. É bom ver que ainda existe esse apoio”.

Por seu turno, Rodrigo Teixeira é um jovem que também entendeu necessário ligar-se à CVP. No início, confessa, não sabia muito bem ao que vinha. “Sabia que estava para ser voluntário da Cruz Vermelha, mas estava sem expectativas e não esperava chegar até aqui”. Tal como Mariana Bela, está apostado em seguir um curso na área da Saúde, preferencialmente Medicina. “Achei que isto seria uma mais-valia para crescer como pessoa e ganhar outras aptidões físicas”. Acabou por gostar, recebeu formação em socorrismo, cumpriu os requisitos e foi até ao fim. Uma experiência importante, do seu ponto de vista, para “saber lidar com as pessoas, tratar dos outros e cuidar deles, acima de tudo”.

Sobre a dificuldade da formação, comentou que “foram alguns meses intensos de recruta, mas tudo se justificou pelo resultado final”, conclui, satisfeito.

Foi com nítido orgulho que estes voluntários da Cruz Vermelha receberam hoje as boinas, símbolo da sua plena integração. As mesmas foram-lhes colocadas, a pedido dos responsáveis da CVP, pelos seus próprios familiares. A cerimónia foi disciplinada, seguindo os princípios da ordem unida militar, e inclui a saudação individual de cada elemento à bandeira da Cruz Vermelha, além do Compromisso de Fidelidade.