ALRAM debateu hoje, entre outros temas, classificação da tradição dos fachos de Machico

Fotos: Rui Marote

Os trabalhos da Assembleia Legislativa Regional que decorreram esta manhã discutiram, entre outras temáticas, a recomendação dos fachos de Machico como Património Cultural Imaterial. Recorde-se que, conforme já noticiou o FN, o JPP quer a “inventariação, classificação e divulgação dos fachos de Machico”, e defende que esta é uma memória histórica singular, única na Madeira e no mundo.

O JPP, no diploma apresentado na ALRAM, recordou que esta é uma atribuição da Direcção Regional de Cultura: o desenvolvimento de acções que promovam a valorização do património madeirense. Ora, a tradição dos fachos é vista pelo partido como uma manifestação popular de cariz simultaneamente religioso e profano que decorre no último fim-de-semana de Agosto, na noite de sábado para domingo, por altura da Festa do Santíssimo Sacramento, e uma tradição que importa valorizar e preservar.

A sua origem remonta aos fachos que, nos séculos XVI, XVII e XVIII se acendiam no alto do pico do Facho, para avisar a população de que piratas e corsários se aproximavam, permitindo às pessoas precaverem-se e buscarem refúgio.

Também abordado hoje na ALRAM foi um voto de louvor proposto pela deputada trabalhista Raquel Coelho, ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, pela atitude que esta instância judiciária tem tido na defesa da liberdade de expressão em Portugal. Como exemplo disso, Raquel Coelho mencionou o caso de um idoso obrigado pelos tribunais portugueses a indemnizar com quatro mil euros, por alegada difamação, um deputado da Assembleia da República que se tinha referido aos cidadãos seniores como a “praga grisalha”. Sérgio Marques, antigo secretário regional com a pasta da comunicação social, discordou dos motivos invocados pelo PTP para este voto de louvor. Em seu entender, existe liberdade de expressão em Portugal.

Por outro lado, o deputado José Prada, do PSD, centrou uma alocução que proferiu na situação dos lesados do Banif, considerando que o Estado português não tem sido solidário com os mesmos, em comparação, por exemplo, aos lesados do BES. O PSD tem procurado sensibilizar o governo central para uma solução que apoie e indemnize os lesados do banco madeirense.

Já o PCP defendeu que o chamado “burnout”, cansaço extremo resultante das condições laborais, seja considerado um “acidente de trabalho”, pela voz da deputada comunista Sílvia Vasconcelos. Nesse sentido, tem um projecto de resolução na ALRAM.