Petição contra extração de areia em zona de importância “científica, didática e paisagística” do Porto Santo

Fonte da Areia, registos fósseis da zona Foto Pedro Menezes
Zona da Fonte da Areia, com registos fósseis. Foto Pedro Menezes

Já está a circular uma petição pública contra a extração de areias no Varadouro, Mornos, Fonte da Areia, Porto Santo. A recente aprovação, em reunião de Câmara, para a suspensão parcial do Plano Diretor Municipal, abre portas à extração na referida zona, mas há quem não esteja de acordo e tenha decidido, agora, colocar o problema à consicderação dos munícipes e de todos os que, direta ou indiretamente, defendem a preservação daquela área.
O argumento dos proponentes da iniciativa, que pretente chamar a atenção para as consequências do que foi aprovado em reunião de Câmara, com votos a favor do PSD e do deputado único do movimento “Mais Porto Santo, refere que “a deliberação camarária causará destruição/degradação do areal situado na costa sul e terá um grande impacto na economia da comunidade local, tendo em conta que, sendo as praias do Porto Santo o principal ex-libris deste destino turístico, esta zona onde decorrerá a suspensão ao longo dos próximos dois anos, é uma das principais fontes da sua alimentação arenosa, feita através da erosão da arriba e transporte marítimo natural”.
Carla Sofia Santos é vereadora na Câmara Municipal do Porto Santo, eleita pelo PS, e impulsionadora desta petição pública. Além da função autárquica, é guia turística de profissão, atividade que lhe permite divulgar o património natural e histórico cultural da ilha, sendo ainda representante local da Associação de Promoção da Madeira. Considera aquele “um dos locais mais deslumbrantes que temos para mostrar”.
A vereadora socialista refere a circunstância do atual executivo ter deliberado, com maioria, “esta suspensão sem previa consulta aos cidadãos”, e de nem ter apresentado “os necessários pareceres técnicos”, sublinhando que “segundo os especialistas, esta areia resulta de condições muito específicas que não se repetirão, sendo este um recurso limitado e não renovável”.

Fointe da Areia, paisagem Pedro Menezes
O objetivo da petição é, também, sensibilizar o presidente da Câmara para a proteção desta zona. Foto Pedro Menezes

O objetivo da petição pública é, também, sensibilizar o presidente da Câmara Municipal, Idalino Vasconcelos, que “deve colocar os interesses da ilha acima de qualquer interesse económico, neste caso a preservação dos recursos naturais, em particular da zona contemplada ( Varadouro), pela verdadeira importância científica, didática e paisagística do local e arranjar outras soluções para a extração de areia que tanto precisam para obras públicas. Esta atitude da Câmara vai contra a estratégia regional de GeoConservação, estando este local em particular inserido na “Estratégia de conservação do Património da RAM”.
Em declarações ao Funchal Notícias, a vereadora Carla Sofia Santos defende que a extração de areia, sendo urgente em função da construção da nova Escola, além de outras obras em curso ou em preparação, deve ocorrer numa outra zona e não naquela que está definida. Trata-se de uma área com valor didático, cientifico e paisagístico, pelo que é de todo desaconselhável que ali ocorra qualquer processo de extração de areia”.
A vereadora do PS espera que exista sensibilidade por parte do presidente da Câmara para esta situação, alterando assim o que foi deliberado em recente reunião, onde os vereadores socialista optaram pela abstenção, com declaração de voto.