Doente com consultas marcadas fica em casa a (des)esperar pelo transporte, SESARAM esclarece prioridades

URGENCIAS HOSPITAL NELIO MENDONCA
Doente fica em casa, na Ponta do Sol, depois de ter falhado o transporte, solicitado a devido tempo, para várias consultas no Hospital.

António Gomes, de 75 anos, é um doente que precisa de cuidados diários, prestados por uma filha. Precisa, também, de transporte sempre que marca uma consulta e tem que cumprir a deslocação até ao Hospital. Vive na Ponta do Sol, num sítio chamado Fregueses Novos. Não tem alternativa. É esperar e, no caso, desesperar. O transporte não aparece.

Em 2017 o problema agravou-se, mas já vinha de trás. A filha, Ana Paula Pita, diz ao Funchal Notícias que requisitou o transporte, disponibilizado pelo SESARAM para casos de manifesta necessidade, como é aquele em análise, mas por várias vezes esse serviço não foi prestado, obrigando-a uma situação de recurso, foi ela própria à consulta para que o médico prescrevesse os medicamentos que o pai necessitava, referindo que o clínico, o Dr. Duarte Muller, consciente do problema, “teve sempre uma atitude louvável para que o meu pai não ficasse sem a medicação”.

Quando ligava para o número habitual, a resposta era sempre a mesma: “Existem outras prioridades como a hemodiálise”. Em tempos, quando a estrada estava em más condições, ainda encontra uma explicação para esse procedimento, mas depois da estrada estar reparada, não vê razão para o serviço não ser prestado, até porque as consultas são marcadas com antecedência e a requisição levantada. Duas dessas consultas que ficaram sem transporte ocorreram a 23 de outubro e 18 de dezembro, mas antes foi igual, só não se lembra exatamente dos dias. A próxima consulta é em abril.

O Funchal Notícias procurou, junto do SESARAM, apurar de que forma o serviço está estruturado e como encontrar explicação para situações como aquela que agora noticiamos. O envio dessas questões ocorreu no dia 8 de janeiro e a posição do SESARAM foi enviada ontem, 11 de janeiro, dia em que, coincidentemente, o presidente do Governo anunciou um novo serviço de táxis, na sequência do retomar de um protocolo com a AITRAM, interrompido em 2009, que a partir de 15 de janeiro garante o transporte para consultas, exames e outros cuidados de saúde, sendo que, para tal, o médico assistente deverá informar o SESARAM com 48 horas de antecedência.

Relativamente à resposta ao Funchal Notícias, o SESARAM refere que “dentro dos recursos disponíveis, tem sido possível assegurar os seguintes serviços de transporte, considerados prioritários, focando especificamente doentes para tratamentos oncológicos, nomeadamente, Hospital de Dia, e outras unidades de apoio ao Hospital Dr. Nelio Mendonça, na área da oncologia (deslocações que constituem um maior volume de transportes); Doentes para tratamento de hemodiálise; Doentes para tratamentos na área da Medicina física e Reabilitação; Doentes para exames, fisioterapia e consultas entre as unidades do SESARAM; Doentes dos serviços de urgências, dos Centros de Saúde onde existe serviço de urgências; Doentes com alta clínica e que necessitam de transporte; Doentes que necessitam de transporte para receber cuidados paliativos; Outras situações.

Diz o mesmo esclarecimento que “a portaria.º 122/2016, publicada no JORAM, no dia 9 de maio de 2017, que procede à 1.ª alteração da Portaria n.º 37/2013, de 11 de junho, que aprovou o Regulamento de Transporte Não Urgente de Doentes do Serviço Regional de Saúde, veio alargar o universo de utentes com direito a essa prestação de serviços”.

O SESARAM, diz a mesma nota, “através dos meios disponíveis, e com a imprescindível colaboração de outras entidades, tem encetado todos os esforços no sentido de responder a todas as necessidades”.

Relativamente ao caso por nós apontado, o SESARAM diz que “os dados apresentados não foram suficientes para identificar a situação, , mas sugere “aos familiares dos utentes e/ou aos próprios utentes que perante estas situações e/ou outras que não estejam devidamente esclarecidos para recorrer ao Gabinete de Apoio aos Utentes (localizado nas instalações do Hospital Dr. Nélio Mendonça), onde será prestado o apoio necessário”.