Emigrantes afectados por dificuldade de ligação aérea à Venezuela; no Natal venderam-se bilhetes caríssimos de ida e volta àquele país

*Com Rui Marote

Os emigrantes madeirenses na Venezuela, mesmo os entretanto regressados à Madeira, na sequência da instabilidade política, económica e social sentida no país dirigido por Nicolas Maduro, continuam a sofrer as mais diversas adversidades. Uma delas refere-se, mesmo, à capacidade de manter uma ligação por via aérea ao país onde muitos deles ainda têm família, negócios, ou outros aspectos que ainda os ligam à nação que durante anos lhes proporcionou a oportunidade de progresso, mas que hoje está transformada num país que muitos não reconhecem.

O Funchal Notícias sabe que na época de Natal não faltaram emigrantes madeirenses entretanto regressados da Venezuela que quiseram viajar para aquele país. E mesmo isso pode ser um sério problema. Os preços inflacionados pela progressiva queda das ligações aéreas para terras de Bolívar fizeram com que a TAP chegasse a vender bilhetes a 1500 e mesmo a 2000 euros por ida e volta a Caracas, assegurou-nos fonte credível. E isto em classe económica.

Actualmente, a TAP mantém a ligação à capital venezuelana duas vezes por semana, mas fá-lo via Euroatlantic, a companhia charter propriedade do empresário madeirense Dionísio Pestana. O avião segue para Curaçao, onde muda de tripulação, e depois, daí voa para Caracas, onde permanece durante um curto período de tempo, algumas horas no máximo, antes de regressar directamente a Portugal. As companhias evitam fazer as tripulações pernoitarem na Venezuela e são, na verdade, cada vez menos as que asseguram ligações aéreas àquele país. Por outro lado, a falta de divisas afecta o crédito na Venezuela, fazendo com que adquirir uma viagem aérea naquele país, de ida e volta para Portugal, por exemplo, aos preços inflacionados pela falta de companhias em actividade, torna difícil a aquisição. Como as passagens não podem ser compradas em moeda estrangeira, para pagar os altos preços torna-se necessário praticamente levar uma mala cheia de notas, já que há sérios limites ao que se pode pagar com cartões de crédito. Muitos passageiros utilizam actualmente os voos via Miami, de onde é possível adquirir ligações para uma série de outros países, inclusive Portugal, mas, mais uma vez, tal paga-se caro. São constrangimentos e dificuldades que tornam mais e mais difícil a manutenção das ligações dos emigrantes madeirenses “exilados” de volta à sua terra natal, com a Venezuela, onde muitos deles ainda têm interesses.

Entretanto, e  curiosamente, a TAP parece não ter um número de telefone verdadeiramente operacional nas suas instalações na Rua da Alfândega. O número 705 205 700, contactado insistentemente pelo FN, apenas responde que “de momento não é possível aceder ao número que marcou”. A companhia, todavia, afirmava em Novembro de 2016 que iria manter os contactos com os passageiros através deste mesmo número, apesar da sua mudança das antigas instalações na Avenida do Mar, para a Rua da Alfândega. Este número é o que surge na Internet quando se pesquisa o balcão da TAP no Funchal, hoje situado uma rua mais acima. Mais uma situação a dificultar a vida dos madeirenses. Eventualmente, após múltiplos contactos, conseguimos ser atendidos por uma central telefónica automática, que nos colocou em “lista de espera”, na qual permanecemos extensivamente.