O “efeito” Ano Novo

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Já escrevi um pouco sobre tudo. Muito sobre os equívocos. Sobretudo sobre a vida, o tempo, o amor, a tolerância, a solidariedade, entre tantos outros, sobre o concreto, o adquirido. Hoje, resolvi escrever sobre a esperança, em forma de sonho, para não deixarmos cair no esquecimento o que é realmente importante.

No início de cada ano, todos nós sentimos que é possível fazer tudo de novo. É aquela altura do ano em que encomendamos promessas, umas novas, outras nem tanto assim. Para cada uma delas canalizamos energias renovadas. Numa lista interminável, criámos a ilusão de que é necessário deixar de adiar, seja o que for, e corremos para concretizar. Estes primeiros dias do Ano Novo são contagiantes. Libertadores. Esgotantes. Sem dar conta, esquecemos o que realmente é importante. Para nós, por nós. Para os outros, pelos outros.

Na azáfama do início de cada ano, deixamos para trás pequenos e grandes momentos vividos. É preciso e precioso não deixá-los simplesmente para trás. São nossos. Todos somados são a nossa vida. Fazem todo o sentido, mesmo que ainda não os tenhamos assimilado. Aceitado. É preciso saber ouvir. Saber ler nas entrelinhas, da vida e das palavras. Estar mais atento aos sentimentos. Aos nossos e aos dos outros. Saber ser, em concreto e em forma de sonho. Dar forma à esperança que se desvanece quando o “efeito” de Ano Novo envelhece, com o passar dos dias. Secretamente voltamos a esquecer de que é possível fazer tudo de novo, como se fosse a primeira vez. Não vamos deixar cair no esquecimento o que realmente é importante: acreditar.

Feliz Ano Novo.