Calado e Raquel Coelho travaram-se de razões; vice-presidente nega que a Região esteja “falida”

Fotos: Rui Marote

O vice-presidente do Governo Regional, Pedro Calado, e a deputada do PTP, Raquel Coelho, travaram-se hoje de razões no parlamento regional. Tudo porque Raquel Coelho comparou Pedro Calado ao escândalo da “Raríssimas”, pelas ligações perigosas entre entidades privadas, no caso uma IPSS, tentando insinuar que Calado, que antes de ser chamado ao Governo trabalhava para a AFA, estar agora, em seu entender,  em circunstâncias de favorecer o seu grupo empregador.

Calado não gostou e disse que o povo madeirense, ao ver estas insinuações,  deveria dizer que não queria pagar para manter no parlamento uma deputada tão desconhecedora do modo como se processam os concursos públicos. Confessando-se “abismado” com as palavras da deputada do PTP, o vice-presidente considerou-as “barbaridades”. Raquel Coelho respondeu dizendo que era o que faltava que Calado escolhesse os deputados no parlamento. “Eu fui eleita, o sr. foi nomeado”, apontou. O presidente da ALRAM, Tranquada Gomes, interveio para dizer que “o sr. vice-presidente foi eleito deputado”. E Calado prosseguiu acusando indirectamente o PTP de estar por detrás de campanhas para denegrir, nas redes sociais,  com recurso a perfis falsos.

Entretanto, e enquanto Pedro Calado afirma que a economia da Madeira está a crescer há 55 meses, a oposição discorda; enquanto Pedro Calado fala de refinanciamento, a oposição fala de um orçamento endividador; enquanto o PSD aponta crescimento económico e grandes progressos no sector do turismo, os outros partidos insinuam que se está a atirar areia para os olhos, numa economia que, nas palavras de Carlos Pereira, do PS, “enfrenta muitas dificuldades”.

Pedro Calado nega que a Região “esteja falida”, mas a oposição, pelas vozes do JPP, do PS, do CDS, entre outros, apontam as discrepâncias dos números e as grandes opções do investimento. Calado diz que o GR conseguiu consolidar a economia da RAM em dois anos, após o estrangulamento do PAEF, e reconquistar a confiança dos investidores e da banca, além das instâncias internacionais.

Gil Canha,  deputado independente,  questionou porque é que o Governo Regional não aumenta a derrama e não implementa taxas ecoturísticas. Mas Calado respondeu peremptoriamente que “não vamos aumentar os impostos às famílias e às empresas”.

Entretanto,  Eduardo Jesus fez uma intervenção salientando tudo o que foi feito em prol do crescimento do turismo e da economia da Madeira. Um ex-secretário regional que também esteve em foco, como outros, por causa da  remodelação governamental empreendida por Albuquerque. Gil Cânhamo disse que o presidente do GR “deu uns patins” aos secretários e que Eduardo Jesus, em particular,  foi dispensado da pasta da Economia porque mexeu com os interesses de grandes grupos económicos. Albuquerque respondeu salientando o bom trabalho feito pelos ex-secretários, e justificou que a remodelação foi feita seguindo critérios meramente políticos,  que assume integralmente.