Albuquerque diz ser prioridade aumentar o molhe da Pontinha em mais 400 metros, nos próximos anos

Fotos: Rui Marote

Aumentar o molhe da Pontinha nos próximos anos em mais 400 metros, para “proteger a cidade” e não apenas o porto, é a prioridade que se segue para o Executivo de Miguel Albuquerque, depois do novo hospital da Madeira. A declaração foi prestada hoje pelo presidente do Governo Regional aos jornalistas, a bordo do navio de cruzeiros MSC Seaside, um novo navio da companhia italiana que ofereceu hoje a bordo um almoço para convidados, nesta que é a sua primeira escala no Funchal. O vice-presidente do Governo, Pedro Calado, também marcou presença.

Albuquerque adiantou ainda que, segundo um estudo realizado, aumentar o molhe da Pontinha de modo a conferir operacionalidade ao novo cais de cruzeiros (obra que custou milhões mas que não está a ser utilizada devido à pouca segurança oferecida às embarcações com a ondulação de sul ou sudoeste) importará em custos da ordem dos cem milhões de euros. “Mais barato”, realçou, “do que inicialmente se previa”.

O governante frisou que o potencial aumento do molhe visa sobretudo a protecção da baía do Funchal, em circunstâncias extraordinárias de mar forte, e tendo já em vista também uma “ampliação consistente da nossa marina, porque é muito importante também melhorarmos essa infraestrutura”.

Estes são projectos que o Governo Regional assume que “tem que desenvolver, e muito rapidamente”, embora neste momento esteja a priorizar o novo hospital.

Relativamente ao mercado de cruzeiros, Miguel Albuquerque considerou-o muito importante para a RAM. Constatou que tem crescido exponencialmente nos últimos anos; o ano passado, disse, passaram pela Madeira 520 mil turistas desembarcados na RAM. “Tem corrido muito bem, o nosso porto tem tido capacidade de resposta”, afirmou. “As pessoas gostam da nossa cidade”, e muitas vezes “regressam à Madeira, também por via aérea”.

Referindo-se à estreia mundial do MSC Seaside, que considerou um navio “excepcional, um dos mais modernos, se não o mais moderno do mundo”, com capacidade para cinco mil turistas, o presidente do GR afirmou: “Vamos recebê-los da melhor maneira”.

A começar esse desiderato, foram trocadas cortesias e placas comemorativas da escala inaugural do navio, entre o presidente do Governo e o comandante do navio, que também foi presenteado com placas pelo comandante do porto do Funchal, capitão-de-mar-e-guerra Paulo Silva Ribeiro, pelo comandante da GNR, Ferraz Dias, e ainda por outras entidades, e respondeu por seu turno oferecendo lembranças. Albuquerque também ofereceu vinho Madeira e bolo de mel.

Questionado pelos jornalistas sobre porque é que o Funchal já não detém a liderança de escalas de navios de cruzeiro a nível nacional, Albuquerque disse que isso não depende muito das entidades madeirenses. “No turismo de cruzeiros, o que se vende são percursos, e os percursos são muito sujeitos aos mercados”, salientou. “Há algumas flutuações. Temos trabalhado com os nossos parceiros, tentando sempre que o nosso porto tenha capacidade de resposta, e não existam problemas. As coisas têm corrido bem. Neste momento não temos razões para nos queixarmos”, opinou.

Para além da colaboração com Canárias, faria sentido uma maior colaboração com o porto de Lisboa? “Lisboa é um hub, e é nosso concorrente”, disse. Também pode complementar, mas, diz o líder do Executivo regional, neste momento, o que temos de fazer é o nosso trabalho de promoção, com os nossos parceiros. Não podemos concorrer com Roma ou Barcelona, que são grandes potências”. Este ano, sublinhou, “já desenvolvemos as escalas no Verão, e vamos continuar a crescer no próximo ano”.

Este ano, já passaram pelo Funchal mais de quatrocentos e noventa mil passageiros. No próximo ano, prevê-se o aumento de escalas, trabalhando com o hub de Lisboa e o hub de Canárias, para potenciar o tráfego de visitantes pela cidade.

João Welsh, representante da MSC na Madeira, disse que o segmento dos cruzeiros está a crescer exponencialmente em todo o mundo. Cerca de 60 navios estão neste momento em construção, para corresponder à crescente procura. Os EUA são o país que tem mais cruzeiristas. O potencial de crescimento é muito grande. “A Madeira tem momentos em que cresce, e outros em que cai um pouco. É cíclico. Isso tem também a ver com o crescimento de outros mercados, como o asiático, que tem provocado uma deslocalização de alguns navios para responderem à procura naqueles países”. Mas, se for analisado o fenómeno dos cruzeiros em termos de “curvas longas”, verifica-se que a Madeira tem vindo sempre a crescer, asseverou.

Eduardo Cabrita, director executivo da MSC em Portugal, disse que o “Seaside” é uma novidade incrível para a companhia, enquadrando-se no plano de investimento de aumentar, com 10,5 mil milhões de euros, a frota em mais doze navios, a juntarem-se aos doze já existentes. O conceito do navio, foi explicado, inspira-se nos condomínios de luxo à beira-mar em Miami, e são privilegiados os espaços exteriores, no navio “que segue o sol”, como é designado, proporcionando grande interacção com o mar, o sol e o espaço circundante. Isto, naturalmente, para além de toda a oferta de entretenimento no interior, com inúmeros bares, restaurantes e salas de espectáculos.

Desde que o navio saiu de Trieste, na viagem inaugural, passando por Messina, Palma de Maiorca, Barcelona e Cádis, que foram criados três segmentos. Partindo a 6 de Dezembro de Barcelona, realizou-se já um cruzeiro de quatro noites com desembarque no Funchal; agora é oferecida uma viagem de 11 noites a Miami, partindo da nossa cidade. “No total, temos quase cem portugueses a efectuarem estes cruzeiros”, adiantou este responsável.

O navio, com 323 metros de comprimento, desloca uma arqueação bruta de 160 mil toneladas. Transporta 5179 passageiros e tem 1315 camarotes com varanda.

Eduardo Cabrita disse que esta é uma companhia centrada na Europa, e que a Madeira, como ponto de partida, está no seu horizonte, embora “não nos próximos dois, três, quatro anos”.

Pier Paolo Scala, comandante do MSC Seaside, destacou por seu turno o design “revolucionário” do navio, que, referiu, “é muito estável e silencioso, sem vibrações, e que possui muitos espaços abertos”.

“Temos também muitas atracções entre as quais um aquaparque, um dos maiores num navio de cruzeiro, além de múltiplas piscinas”, disse. “Na MSC, acreditamos que este será o novo standard na indústria de cruzeiros”.