Banco de Tempo da Jaime Moniz debate a partilha e o voluntariado com coordenadoras nacionais

Fotos Vanda Martins e Maria José Barreto.

O Banco de Tempo da ESJM, em articulação com a Coordenação das Atividades de Complemento e Enriquecimento Curricular, promoveu hoje uma palestra nesta instituição escolar sobre a importância do voluntariado, que contou com as presenças das coordenadoras da Rede Nacional da Associação Banco de Tempo, Eliana Madeira e Teresa Branco, e da presidente da Associação Graal, Elsa Coutinho, bem como da fundadora regional, Carmo Araújo.

O Banco de Tempo no “Liceu” nasceu há mais de uma década como um projeto inovador na Região, impulsionado sobretudo por uma docente aposentada desta Escola, Carmo Araújo. Um passo pioneiro, seguido do contributo de outras docentes, também aposentadas, que têm oferecido o seu tempo na ajuda a quem precisa. Um trabalho firme na defesa dos ideais humanos da partilha e da ajuda ao Outro, veiculando os mesmos valores junto dos jovens estudantes, também eles futuros voluntários.

Vanda Martins. coordenadora das Atividades de Complemento e Enriquecimento Curricular da ESJM, tem também acarinhado este projeto e colaboraou na organização da palestra.  Na sua intervenção de introdução ao tema do encontro, Vanda Martins abordou o voluntariado e toda a filosofia de inetrvenção de um Banco de Tempo, salientando a sua importância: “O tema de fundo, sendo um dos princípios definidores dos empenhos da Associação Banco de Tempo, desde a data da sua fundação nos princípios  dos anos 90, em Itália, tem sido também o lema de todos os empreendimentos das redes que se foram criando em vários pontos do território nacional. A multiplicidade de serviços e atividades que abrange, têm na base da sua orientação um ‘conceito’ de tempo muito diverso “dos tempos do relógio que são contabilizados em saldo monetário, e, como tal, há aqui uma dimensão social e cultural, de significado inovador, na medida em o tempo não é pago em moeda, mas na troca de bens partilháveis assentes no princípio da reciprocidade”.

Ao longo das apresentações feitas pelas oradoras, é de referir o diálogo e a interação com o público jovem presente, estudantes da ESJM, que tiveram a oportunidade de ter ‘voz’ sobre este Projeto que lhes foi apresentado e que acolheram com grande interesse e atenção, designadamente, sobre a sua História – como surgiu; «O que é o Banco de Tempo?»; «Como funciona?» etc…

Ao longo da sessão, foram sublinhadas algumas ideias que são inerentes à intervenção do Banco de Tempo. Sabendo que a fundamental partilha de conhecimentos e de experiências entre gerações é um bem patrimonial que excede toda e qualquer mensuração, a importância da dimensão relacional e os lugares que se criam a que tal aconteça permite pôr em ação uma “prática de solidariedade” e de participação, na qual, o que é valorizado, é o mútuo respeito e reconhecimento. Em suma, a dignidade de todos”.

A sociedade materialista e individualista convoca a uma mais firme solidariedade. “Numa época em que os individualismos de índole diversa e também antagonismos, tendem a reduzir as relações interpessoais ao efémero, a ideia da criação de redes (não apenas virtuais), mas de reforço de uma cultura solidária e de «boa vizinhança», constitui uma tarefa, um desafio, mas não menos uma oportunidade para que as histórias individuais que se entrecruzam, sejam integradas e transmitidas como património comum de todos. Não sendo uma Organização, as redes de Banco de Tempo têm na base do seu funcionamento uma motivação primordial, a saber, de criação de uma comunidade que permita desenvolver relações de amizade e de partilha entre todos os participantes”.

Além disso, “a Associação não é uma organização hierárquica. Como rede, tem critérios e princípios para garantir o seu funcionamento, mas cada um dá o que saiba e goste de fazer, de modo personalizado e de acordo com as suas competências – não só dá, mas recebe a partilha do seu tempo no que também precise. Trata-se de um “cheque em tempo” e não em “valor monetário”. Quantificar o ‘valor’ em tempo, quando todas as coisas têm um valor monetário, supõe encarar de outro modo o conceito de ‘dinheiro’.  Mas também do próprio Tempo… como “objeto e como medida”.

Por isso, “construir relações sociais através do “câmbio” equivalente do tempo é uma das ideias de força dos Bancos de Tempo, mas também um dos instrumentos de combate à violência, discriminação, anomia, insegurança, vulnerabilidades e outros flagelos, que não são sanáveis pelo discurso estritamente economicista, mas paritário. Certamente, não sendo panaceia para a resolução de todos os problemas que a sociedade enfrenta, é um contributo relevante para que no âmbito das instituições educativas sejam criados espaços para a vivência de uma Cultura de Cidadania mais plena, nos quais sejam respeitados a valorização e o reconhecimento, de modo a promover relações de reciprocidade sempre mais autênticas”.