Prédio na Cancela em risco com falhas de construção, Câmara de Santa Cruz já pediu vistoria ao LREC

Casais da Quinta C
Técnicos da Câmara de Santa Cruz detetaram “falhas de construção” no prédio da Cancela. O pedido de intervenção já foi enviado ao Laboratório Regional de Engenharia Civil (LREC).

Os moradores do prédio “Casais da Quinta”, na Cancela, estão desesperados com as condições de degradação de alguns apartamentos. A construção, a custos controlados, teve como promotor a IMOTELMADE e como construtora a ELIMAR, num processo mediado pela Investimentos Habitacionais da Madeira, onde os candidatos estavam inscritos no âmbito da habitação social.
A oportunidade juntou as partes interessadas. Permitiu à maior parte dos atuais residentes a aquisição dos imóveis a custo abaixo do mercado. A ocasião levou à aquisição, foram resolvidos alguns problemas habitacionais, que de outra forma esperariam muito mais tempo para que fosse encontrada uma solução. Serviu quem vendeu, serviu quem comprou.

Casais da Quinta Fissuras B
Das pequenas fissuras o prédio passou para grandes cedências das paredes e dos solos.
Casais Quinta fissuras C
Alguns tetos já têm quebras como a foto documenta.

Nada de anormal, antes pelo contrário. Sem dúvida uma oportunidade aproveitada, igual a tantas outras que ao longo dos anos permitiu o incremento da habitação na Madeira, com núcleos habitacionais que constituíram, e ainda constituem, a resolução de problemas que, desde sempre, apareceram na Região, nesse domínio. Por um lado, visando o arrendamento, por outro proporcionando a compra para os casos de maior poder aquisitivo.

Casais Quinta placa
Esta placa indica as empresas responsáveis pela obra.

O problema é que, neste caso, passados alguns anos, foram as fissuras nas paredes, nos tetos, nos chãos, nas garagens, enfim um rol de situações que se foram acumulando, primeiro encontrando solução junto da empresa construtora, julgando-se que apenas estavam em questão pequenos ajustes de construção, a exemplo do que acontece um pouco por todos os empreendimentos, mas depois com um agravamento inesperado e uma vaga de reclamações, que esbarraram na falência da empresa e na falta de soluções que fossem ao encontro dos inúmeros problemas. De empurrão em empurrão, de desabafo em desafabo, de adiamento em adiamento por parte da IHM, os moradores foram vendo os anos passar, até que a queixa chegou à Câmara de Santa Cruz, bem recentemente. Foi a formalização que chegou ao resultado que os moradores temiam.
A autarquia de Filipe Sousa mandou fazer uma avaliação técnica. Que teve como resultado esta constatação: o edifício tem, ao nível da construção, faltas de peças estruturantes, que podem provocar falências estruturais. Para que se perceba, relativamente à conclusão a que chegaram os técnicos da Câmara, faltam pilares, “há falhas relativamente ao projeto inicial”. Uma posição que acabou por despoletar um coro de protestos, verdadeiramente justificados, em função dos riscos que podem encerrar o futuro do prédio, se não for na totalidade pelo menos em parte. As redes sociais foram “inundadas” de comentários, de fotos, que dão expressão ao descontentamento.
Ao Funchal Notícias, a Câmara de Santa Cruz refere ter desenvolvido todos os esforços para avaliar o problema, admite que os pareceres desenvolvidos pelos técnicos devem ter seguimento num outro patamar, sendo que, nesse sentido, a autarquia já pediu um parecer ao Laboratório Regional de Engenharia Civil, aguardando-se que este organismo leve a efeito a correspondente vistoria ao edifício. Dependendo do resultado e da gravidade dessa mesma avaliação, trata-se de um caso, admite a Câmara de Santa Cruz, que pode representar necessidade a adoção de outras medidas, entre elas eventualmente o realojamento das pessoas que ali residem.